Jovens com deficiência têm mais dificuldade para permanecer na escola e concluir a alfabetização no Brasil, aponta levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado nesta sexta-feira (18). Em 2022, 12,2% das pessoas com deficiência entre 15 e 29 anos não sabiam ler e escrever uma sentença simples. Entre os jovens da mesma faixa etária, a taxa era de 1%.
A diferença também aparece entre estudantes do ensino médio, faixa que reúne pessoas de 15 a 17 anos. A frequência escolar era de 65,6% entre aqueles com deficiência profunda e de 82,8% entre os que tinham deficiência severa. Para jovens sem deficiência, o índice chegava a 85,4%.
Frequência escolar e alfabetização
Entre crianças de 6 a 14 anos, 82,3% das que tinham deficiência profunda frequentavam a escola. O percentual subia para 95,6% entre aquelas com deficiência severa e alcançava 98,4% entre as crianças sem deficiência, uma diferença de cerca de 2,8 pontos percentuais.
Luanda Botelho, coordenadora de indicadores sociais, afirmou que a maior concentração de pessoas com deficiência entre os idosos ajuda a explicar a disparidade educacional entre os grupos. Para ela, “a desigualdade não se resume à questão geracional”, e o acesso aos ambientes escolares também está relacionado ao problema.
No ensino superior, porém, houve crescimento nas matrículas de pessoas com deficiência. O total passou de 33,4 mil em 2014 para 95,6 mil em 2024. A graduação à distância foi responsável por parte desse aumento: o número de alunos PcD nessa modalidade subiu de 11,9 mil em 2019 para 45 mil em 2024. O IBGE relaciona esse avanço à pandemia de Covid-19.
Recursos de acessibilidade
Dados do Censo Escolar, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), mostram que, em 2025, 78,5% das escolas de educação básica tinham pelo menos uma ferramenta de acessibilidade.
Os banheiros acessíveis eram o recurso mais comum, presentes em 57% das escolas. O índice era de 54,8% na rede pública e de 64,4% na particular. Salas de recursos multifuncionais, voltadas ao atendimento educacional especializado (AEE), existiam em 30% das unidades: 34,5% na rede pública e 15,2% na rede privada.
Profissionais de apoio aos alunos com deficiência estavam presentes em cerca de 26,2% das escolas. Entre as unidades públicas, o percentual era de 32,8%; na rede privada, de 4,6%.







