BELO HORIZONTE — Aécio Neves (PSDB) anunciou em agosto deste ano a candidatura a uma das duas vagas de Minas Gerais no Senado. O retorno à disputa ocorre enquanto diferentes investigações e ações judiciais associadas ao ex-governador tiveram desfechos variados, incluindo arquivamentos, rejeição de denúncias e absolvição em primeira instância.
Os casos envolveram suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, fraudes em licitações e irregularidades eleitorais. No episódio relacionado à JBS, Aécio chegou a se tornar réu por corrupção passiva e obstrução da investigação, mas foi absolvido pela Justiça Federal em São Paulo em 2022.
Cidade Administrativa
O desdobramento mais recente citado envolve a Cidade Administrativa, complexo construído durante o governo de Aécio em Minas Gerais. Em setembro de 2025, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) julgou recursos de uma ação de improbidade e, por maioria, considerou improcedentes os pedidos apresentados no processo.
A investigação havia apurado suspeitas de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, crimes contra a ordem tributária e fraude em licitação. Ainda em 2018, o STF determinou o envio do Inquérito 4392 para a Justiça de Minas Gerais, porque os fatos estavam relacionados ao período em que Aécio era governador.
Delatores relataram um suposto esquema envolvendo empresas responsáveis pelas obras. Uma das acusações mencionava pagamentos equivalentes a 3% dos contratos. O processo teve frentes criminais e de improbidade, além de questionamentos sobre a validade de elementos usados nas ações.
JBS e Furnas
O caso envolvendo Joesley Batista, da J&F Investimentos, começou em 2017. Uma gravação entregue à Procuradoria-Geral da República (PGR) registrou uma conversa na qual, segundo a acusação, Aécio solicitou R$ 2 milhões. O dinheiro foi entregue a Frederico Pacheco de Medeiros, primo do político.
O episódio deu origem ao Inquérito 4506. Em 2018, a Primeira Turma do STF recebeu denúncia contra Aécio, Andrea Neves, Frederico Pacheco e Mendherson Lima por corrupção passiva. No caso de Aécio, também foi aceita a acusação por obstrução da investigação.
Em 2019, a Justiça Federal determinou o bloqueio de R$ 128 milhões. A quantia correspondia ao valor que, segundo a acusação, teria sido pago a Aécio entre 2014 e 2017. Em 2022, porém, a Justiça Federal em São Paulo absolveu os quatro acusados por considerar insuficientes as provas de que o pedido configuraria corrupção.
No Inquérito 4244, Furnas Centrais Elétricas foi relacionada a suspeitas de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A apuração incluiu depoimentos de colaboradores, quebras de sigilo e diligências sobre contas no exterior. O caso foi arquivado em 2018, voltou a ser analisado após recurso da PGR e terminou novamente arquivado em março de 2021, a pedido da própria Procuradoria.
Campanhas e outros inquéritos
O Inquérito 4444 investigou suspeitas de caixa 2 na campanha presidencial de 2014, a partir de colaborações de executivos da Odebrecht e da OAS. Em agosto de 2021, a Segunda Turma do STF determinou o arquivamento por falta de provas suficientes após mais de quatro anos de investigação.
Também em relação à campanha de 2014, o ministro Gilmar Mendes determinou, em dezembro de 2024, o trancamento de um inquérito que tramitava na 30ª Zona Eleitoral de Belo Horizonte. O procedimento investigava uma suposta omissão de despesas na prestação de contas e foi encerrado por excesso de prazo e ausência de elementos suficientes para denúncia.
No Inquérito 4436, a PGR acusou Aécio de receber vantagens indevidas da Odebrecht e da Andrade Gutierrez entre 2009 e 2010, em um caso relacionado às usinas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira, em Rondônia. A acusação mencionava R$ 65 milhões em suposta propina. Em novembro de 2022, o Plenário do STF rejeitou a denúncia por unanimidade.
Outro procedimento, o Inquérito 4830, teve origem na colaboração de Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS. O caso apurava supostos pagamentos a Aécio entre 2010 e 2012, relacionados ao interesse da empresa em obras no estado, especialmente no programa Luz para Todos. Em fevereiro de 2024, a Segunda Turma do STF determinou o arquivamento por falta de elementos mínimos.
Aécio foi procurado para comentar as informações, mas não respondeu até o fechamento. O espaço permanece aberto para manifestação.






