O candidato do PL ao governo de Minas Gerais, Flávio Roscoe, recebeu R$ 900 mil de Carlos Geo Quick, ex-controlador do Banco Neon. A instituição foi liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central em maio de 2018, e Quick virou réu na justiça federal em abril de 2025 após denúncia do Ministério Público Federal (MPF) por crimes contra o sistema financeiro nacional.
A acusação inclui gestão fraudulenta por meio de operações de crédito fictícias. Os dados declarados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que a doação foi feita em duas transferências eletrônicas, realizadas em agosto: uma de R$ 380 mil e outra de R$ 520 mil. Até o dia 9 de setembro, o valor era a 21ª maior doação individual de pessoa física nas eleições.
Doação e campanha em Minas
Roscoe é apoiado pelo senador Flávio Bolsonaro e pelo deputado federal Nikolas Ferreira, ambos do PL. Nesta quarta-feira, 9 de setembro, os três participaram de uma motociata e de um comício em Juiz de Fora. O grupo tentava realizar o ato desde 17 de agosto, quando uma tempestade levou ao cancelamento da mobilização na cidade e transferiu o encontro para um ginásio em Belo Horizonte.
Filiado ao PL em março de 2026, Roscoe é a principal aposta do partido para consolidar sua presença em Minas Gerais. O candidato foi presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e se apresenta nas redes sociais como gestor experiente.
Em mensagem enviada por WhatsApp, a assessoria de Roscoe afirmou que a contribuição foi feita diretamente ao partido, de forma legal e declarada pelo doador. Também disse que a relação entre o candidato e Quick decorre exclusivamente do convívio no meio empresarial de Minas Gerais. A campanha, acrescentou, será financiada por doações privadas declaradas, sem uso de recursos públicos ou do Fundo Partidário.
A defesa de Quick afirmou que ele não tem relação comercial com Roscoe e que doou por acreditar nas propostas do candidato. Sobre as acusações apresentadas pelo MPF, os advogados disseram que o empresário não se manifestaria.
Acusação contra Quick
Segundo as investigações do MPF, Quick e seus sócios controlavam o Banco Neon, antigo Banco Pottencial, e a Pottencial Assessoria e Consultoria (PAC). A empresa teria captado recursos sem autorização do Banco Central.
Empresas depositavam valores na PAC com a promessa de rendimento. Quando pediam o resgate, os controladores não devolviam o dinheiro. No lugar disso, simulavam empréstimos no Banco Neon com o mesmo valor solicitado pelos investidores.
A operação fazia com que as empresas aparecessem como devedoras de empréstimos fictícios. O banco, por sua vez, registrava receitas falsas de juros e inflava artificialmente o próprio patrimônio, de acordo com a acusação.
Em março de 2025, o MPF apresentou a denúncia. No fim de abril do mesmo ano, a justiça federal em Belo Horizonte aceitou a acusação contra Quick por crimes como fraude na gestão do banco, engano de investidores e operação de estrutura financeira clandestina.
Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira foram procurados, mas não responderam aos questionamentos.







