O conde Charles Spencer afirma que enfrentou resistência da família real durante os preparativos para o funeral da princesa Diana. As lembranças estão no livro de memórias “Swan Song: Diana, My Sister”, compartilhado nesta quinta-feira (17).
Spencer relata que atuou como intermediário entre os Spencer e o grupo do Palácio de Buckingham, liderado pela rainha Elizabeth II e pelo então príncipe Charles. Segundo ele, tentou apresentar solicitações da família, mas não encontrou espaço para que elas fossem consideradas.
Um dos pedidos estava ligado a um desejo manifestado pela própria Diana. As irmãs dela sabiam que a princesa queria que o Réquiem, de Mozart, fosse executado durante a despedida. A solicitação, porém, teria sido recusada sob a justificativa de que nenhuma parte de um réquiem poderia ser tocada em um funeral da Igreja da Inglaterra.
Mais tarde, Spencer diz ter descoberto que essa explicação não era verdadeira. Ele também escreveu que algumas pessoas próximas da família real foram gentis, enquanto outras, dentro do Palácio, teriam demonstrado alívio pela morte de Diana.
O livro ainda descreve o conflito em torno da participação dos filhos da princesa no cortejo fúnebre. William e Harry, então com 15 e 12 anos, deveriam caminhar atrás do caixão da mãe. Spencer, que havia sido nomeado tutor dos dois por Diana, afirmou que ela jamais teria desejado submetê-los àquela situação.
O então príncipe Charles, no entanto, defendeu que os meninos participassem. Em uma ligação telefônica, ele teria comparado a situação ao funeral de Lord Mountbatten, quando caminhou atrás do caixão. Spencer respondeu que Charles tinha 30 anos naquela ocasião e que o morto não era sua mãe.
De acordo com o relato, a conversa terminou com uma discussão. Spencer afirma que o ex-cunhado o acusou de não compreender o dever e, depois, disse: “vamos esquecê-la em breve!”. Chocado, o conde encerrou a ligação.
Após a divulgação do relato, o Palácio de Buckingham declarou que a dor do luto entre irmãos pode afetar o julgamento e a memória, mesmo muitos anos depois de uma perda. A instituição também afirmou que, como princípio, não comenta livros.







