Tatiana Tiburcio vai revisitar A Face Negra do Amor, filme autoral de 2018 que dirigiu e protagonizou ao lado de Cyda Moreno, Erika Januza e Flavia Souza. A produção será exibida nesta terça-feira (22), no Cine Odeon, na Cinelândia, durante o 19º Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul, na sessão Baluartes do Cinema Negro.
A atriz, de 49 anos, está em destaque como Rosa na novela das 9, Quem Ama Cuida. Ela também participou de Garota do Momento, Terra e Paixão e Sol Nascente, além de trabalhos no teatro, no cinema e no streaming. Em 2020, recebeu o Troféu APCA de Melhor Atriz por Falas Negras.
Um filme ligado à reconstrução
Para Tatiana, A Face Negra do Amor representa mais do que uma realização artística. O filme nasceu de experiências pessoais e de uma ferida que, por meio da arte, passou a integrar um processo de cura e reconstrução. “O filme surge como uma forma de renascimento”, afirma a atriz.
A obra parte da relação entre amor e racismo e discute como a questão racial atravessa os sentimentos e os relacionamentos de mulheres negras. Tatiana conta que a produção foi construída a partir de uma experiência dolorosa, que modificou sua percepção sobre as relações afetivas.
Segundo ela, mesmo em uma relação marcada por conversas sobre letramento racial, consciência e parceria, o racismo se fez presente de maneira cruel. O processo, porém, também trouxe novas compreensões e a possibilidade de criar outras verdades para si.
Outras imagens para o amor
Tatiana questiona os padrões que influenciam o imaginário romântico ocidental, frequentemente associados a referências eurocêntricas e a relações heteronormativas. Para ela, a mulher negra costuma ser afastada do lugar de idealização romântica e apresentada como a mulher forte, capaz de suportar qualquer adversidade.
A atriz afirma que essa imagem pode levar à desumanização, por pressupor uma capacidade inesgotável de resistência. Como alternativa, defende a busca por outras referências, incluindo as mitologias iorubás, que permitem associar força, delicadeza, vulnerabilidade e autoridade.
No filme, as personagens vividas por Tatiana, Cyda Moreno, Erika Januza e Flavia Souza apresentam diferentes formas de olhar para o amor. A atriz destaca que a produção não pretende definir uma única maneira de amar: o protagonismo é do próprio amor, observado por perspectivas diversas.
Mudanças na carreira e novos planos
Ao rever o trabalho, Tatiana também reflete sobre as transformações que viveu. Ela diz que o processo não mudou apenas a atriz, mas também a mulher e a pessoa, o que passou a influenciar suas escolhas e sua forma de se posicionar profissionalmente.
Hoje, afirma se sentir mais consciente, segura, direcionada, leve e feliz diante dos caminhos que deseja seguir. A atriz ainda não sabe como será reencontrar o filme nem como o público irá recebê-lo, já que a sociedade mudou desde a realização da obra.
Tatiana também gostaria de levar A Face Negra do Amor para a televisão em formato de série. A ideia seria ampliar as discussões sobre amor, raça e afetividade. Ela afirma que gostaria de dirigir o projeto e explorar as complexidades e as nuances dessas relações.







