A busca por novas possibilidades atravessa os cinco álbuns de BK’. Ao revisitar a própria discografia, o rapper aponta como cada projeto nasceu de uma fase diferente, com mudanças na forma de rimar, nos temas e na construção visual. O percurso vai da necessidade de colocar ideias para fora à tentativa de criar experiências que unam música, estética e show.
O tempo e as escolhas de DLRE
Em DLRE — Diamantes, Lágrimas Justas para Esquecer, BK’ escolheu o sample como elemento central. A decisão veio da inspiração na maneira como o recurso aparece no rap e também de uma atenção maior aos direitos autorais, depois de problemas relacionados ao uso de samples em trabalhos anteriores.
O disco parte da ideia de deixar algumas coisas para trás para seguir em frente. As love songs aparecem entre os destaques, mas o conceito também alcança amizades, trabalho e outros momentos de mudança. A estética ganhou forma com o “monstro”, ligado ao tempo e à sensação de correria.
A equipe viajou até a Etiópia para gravar um filme visual do projeto. As hienas representam o monstro, enquanto a viagem se relaciona ao nome Bebe Bikila, uma referência ao corredor etíope Abebe Bikila. Para BK’, o álbum aproximou música, imagem e apresentação de uma experiência 360.
Da expansão artística ao personagem
Antes de DLRE, Ícaros marcou uma retomada mais ambiciosa depois da pandemia. O rapper usou a própria trajetória como ponto de partida e recuperou elementos de Castelos & Ruínas, Gigantes e O Líder em Movimento. Também buscou fazer um trabalho compreensível desde os primeiros contatos com o público. Os corais se tornaram uma das marcas estéticas dessa fase.
Em O Líder em Movimento, a criação partiu de um conceito específico: um personagem para tratar de vivência preta, liderança e identidade. A gravação aconteceu durante um período complicado, e BK’ e a equipe passaram uma semana fora do Rio de Janeiro para se concentrar. A pandemia interrompeu parte dos planos, e o álbum ficou sem videoclipe ou show de lançamento naquele primeiro momento.
Mesmo com essas interrupções, o rapper considera o projeto fundamental para sua trajetória e para as decisões criativas posteriores. “Ele é um estudo para mim, ele é um manual para mim também”, afirmou.
Os primeiros movimentos
Gigantes ampliou o campo de criação de BK’. O álbum incorporou vivências de pessoas próximas e aproximou o rapper de outras linguagens, especialmente das artes plásticas. A proposta era mostrar habilidades que não ficassem limitadas ao que o público costuma esperar de um MC.
Já Castelos & Ruínas nasceu da vontade de apresentar uma visão própria e falar sobre o que o rapper estava vivendo. O álbum solo chegou a ser planejado para 2015, mas foi adiado até que ele se sentisse pronto. Durante o processo, algumas músicas foram lançadas, e “Próximo Nascer do Sol” ficou como a última faixa.
O “castelo” do título não representava necessariamente dinheiro. A imagem estava ligada à procura por um caminho com sentido na vida pessoal e profissional. Sem a pressão dos trabalhos seguintes, o projeto também foi associado à liberdade criativa, à pureza e ao desejo de fazer algo inspirador. BK’ resume o tempo de preparação com a frase: “Castelos e Ruínas foi o meu disco que eu levei 26 anos para fazer”.
Ao olhar para os cinco trabalhos, BK’ identifica uma sequência em que cada álbum aproveita aprendizados e referências do anterior, mas abre espaço para outra direção. O movimento continua: enquanto finaliza um disco, ele já começa a imaginar o próximo.







