O processo que acusa Sam Smith e Normani de copiar o gancho de uma música de 2015 chamada “Dancing With a Stranger” vai a julgamento. O juiz distrital dos Estados Unidos Wesley L. Hsu rejeitou o pedido da dupla e de outros réus para encerrar a ação sem que um júri analise as provas.
A decisão, emitida na quarta-feira, afirma que os compositores Jordan Vincent, Christopher Miranda e Rosco Banlao apresentaram elementos suficientes para criar uma disputa sobre a semelhança entre as obras e sobre a possibilidade de criação independente. Para Hsu, essas questões não podem ser resolvidas em julgamento sumário.
“Os autores apresentaram de forma suficiente uma questão de fato material quanto à semelhança marcante e à criação independente”, escreveu o juiz.
Disputa sobre o gancho
O processo foi apresentado em março de 2022, arquivado no ano seguinte e depois reaberto em instância de apelação. Em julho, os advogados de Smith, Normani e dos demais réus, incluindo a Universal Music Group, voltaram a pedir o descarte do caso.
A defesa alegou que especialistas dos compositores não conseguiram demonstrar a chamada semelhança marcante entre a canção de 2015 e o hit dance multiplatina lançado em 2019. Hsu rejeitou a forma de análise proposta pelos réus, que separava altura, ritmo, colocação métrica e contorno das músicas.
“Desmonte duas obras o suficiente e nenhuma se parecerá com coisa alguma”, afirmou o juiz na decisão.
Hsu também declarou que não há um padrão bem definido para determinar quando a seleção e a organização de elementos musicais produzem uma semelhança marcante. Ao mesmo tempo, citou o entendimento do Nono Circuito, tribunal federal de apelações que abrange a Califórnia, de que não é adequado examinar cada elemento isoladamente.
Samples também estão no centro do caso
Outro ponto discutido é a alegação de que a música de 2015 incorporou samples não autorizados de “The Ha Dance”, do Masters at Work, e “Think (About It)”, de Lyn Collins. Segundo a defesa, isso impediria a proteção autoral de partes da obra usadas na acusação.
O juiz considerou que existe uma disputa de fato sobre essa alegação e afirmou que Smith, Normani e os outros réus não demonstraram que a música dos autores foi derivada dos samples mencionados. Para Peter Anderson, advogado da defesa, os dois trechos percorrem toda a música e o gancho, que seria a única semelhança apontada.
Hsu também decidiu que a alegação de criação independente não basta, neste momento, para encerrar o processo. A defesa sustenta que a música de 2019 foi criada sem acesso à obra dos compositores, mas o juiz afirmou que essa questão deve ser avaliada pelo júri junto com as demais provas.
O advogado dos autores, Alfred J. Fluehr, disse que os três compositores do grupo Sound and Color estão satisfeitos com a decisão e esperam apresentar o caso em tribunal.
A disputa ainda envolve outras obras chamadas “Dancing With a Stranger”. Cyndi Lauper gravou uma canção com esse título em 1989, enquanto Regina lançou “Dancing With an Angel” em 1997. Advogados de Smith e Normani afirmam que a música de Regina contém uma frase melódica descendente semelhante às passagens analisadas no processo.







