A cantora Joan Baez reafirmou a defesa da resistência coletiva não violenta e da participação popular em movimentos por liberdade e justiça. A artista também anunciou uma apresentação no Power to the People Festival, organizado por Tom Morello e com participação de Bruce Springsteen.
Baez relembrou sua atuação na turnê Uma Conspiração de Esperança, da Anistia Internacional, realizada há quarenta anos. Ao lado de U2, Sting, Peter Gabriel e Neville Brothers, entre outros músicos, ela percorreu os Estados Unidos para chamar atenção às violações de direitos humanos e estimular jovens a se envolverem, se manifestarem e se pronunciarem. Os shows levaram dezenas de milhares de pessoas a se juntar à organização.
Música e ativismo
A cantora afirma que sua relação com o ativismo começou ainda na adolescência, quando ganhou um ukulele, assistiu a um show de Pete Seeger e ouviu Odetta cantar. Desde então, diz ter sido impulsionada pelo poder transformador da música e pelo uso da própria voz para inspirar ações.
Entre os episódios lembrados por Baez estão sua participação ao lado do Dr. Martin Luther King na Marcha sobre Washington por Empregos e Liberdade, em 1963, os protestos estudantis contra a Guerra do Vietnã em Berkeley e o período em que foi presa por apoiar pessoas que se recusaram a servir no exército.
Ela também citou a defesa de prisioneiros de consciência e o apoio a movimentos pela liberdade na América Latina, na África do Sul e na antiga União Soviética. A trajetória inclui uma apresentação para Václav Havel durante a Revolução de Veludo, na então Tchecoslováquia, e outra para moradores de Sarajevo durante a guerra.
No festival deste fim de semana, Baez pretende usar a música e a ação coletiva para inspirar mudanças. Ao comentar o cenário dos Estados Unidos, afirmou que o país avançou rumo à liberdade e à justiça, mas ainda não o suficiente: “Agora, mais do que nunca, precisamos de resistência e ação”.
A cantora defendeu ações em apoio a imigrantes e a pessoas alvo do ICE, especialmente crianças separadas de suas famílias e mantidas sob custódia sem apoio e representação legal. Também pediu a recuperação do Estado de Direito, criticou a politização dos tribunais e a concentração do poder executivo, além de se posicionar contra a militarização das cidades.
Baez disse se sentir encorajada pelos protestos realizados em estados republicanos e democratas. Para ela, pessoas que saem de suas zonas de conforto e se manifestam por quem não pode fazê-lo ajudam a preservar a determinação, a bondade e a serenidade mesmo em meio ao agravamento da crise.







