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John Wilson leva investigação sobre concreto a Hallmark, Roma e Michael Imperioli
Foto: Reprodução/TMDB
Música

John Wilson leva investigação sobre concreto a Hallmark, Roma e Michael Imperioli

Novo documentário do criador de How To With John Wilson parte de uma rachadura e percorre ciclos, música e imagens do cotidiano.

A rotina de filmar sem saber exatamente onde as imagens vão chegar é o ponto de partida do trabalho de John Wilson. Em seu primeiro longa-metragem, The History of Concrete, esse método acompanha uma investigação sobre concreto que passa por filmes da Hallmark, uma corrida de longa distância, viagens internacionais e encontros inesperados, incluindo uma conversa com Michael Imperioli.

O documentário estreia nos Estados Unidos em 18 de setembro e ainda não tem data para chegar ao Brasil. A produção estreou no Festival de Sundance no início deste ano e foi adquirida pela Bronxburgh e pela Central Pictures, de Josh Safdie.

Uma rachadura como ponto de partida

Wilson decidiu estudar o material depois de encontrar uma rachadura na fundação do prédio de apartamentos que possui em Ridgewood, no Queens. Em vez de chamar um empreiteiro, ele começou a ler sobre concreto para compreender por que o material falha. A pesquisa logo se transformou em uma reflexão sobre ciclos de renovação e sobre a repetição de comportamentos.

“Eu realmente apresentei o filme como um documentário bem convencional sobre concreto, com a ressalva de que ele tomaria rumos inesperados”, afirma Wilson.

A proposta foi apresentada à A24, mas o estúdio informou que já tinha outro filme sobre concreto previsto. O cineasta considerou a situação estranha e comparou a ideia à existência de apenas um filme de ação ou uma comédia romântica por ano.

A estrutura do longa amplia o procedimento usado por Wilson em How To With John Wilson, série lançada em 2020. Cada episódio começa com um tutorial e segue por associações que podem levar a temas muito diferentes antes de retornar ao assunto inicial. No filme, sem o limite de duração da televisão, esses desvios ganham mais espaço.

De uma corrida ao cinema da Hallmark

A investigação leva Wilson a um workshop de roteiros de filmes da Hallmark. Para ele, essas produções representam a repetição de padrões no consumo de entretenimento e na maneira como histórias são contadas.

Outro trecho acompanha a Self-Transcendence 3,100 Mile Race, realizada anualmente no Queens, NY. Fundada em 1997 pelo guru espiritual Sri Chinmoy, a prova faz os participantes correrem ao redor do mesmo quarteirão por 52 dias seguidos.

O cineasta também viaja a Roma para conhecer a construção de concreto mais antiga existente. A passagem estoura o orçamento inicial do filme. Em Las Vegas, ele participa de uma convenção da indústria do concreto. Los Angeles aparece por causa da indicação de seu programa ao Emmy, enquanto Ohio recebe uma estadia de uma semana nas proximidades da estrada de concreto mais antiga dos Estados Unidos.

A estrada, curta e em condições ruins, acaba levando Wilson a um negócio que preserva tatuagens de pessoas mortas. O filme ainda inclui uma entrevista rápida com Michael Imperioli, estrela de Família Soprano e frequentador assíduo de Ridgewood, em NY, além de uma conversa mais longa com um homem que remove chicletes das calçadas.

O encontro com Jack Macco

Em determinado momento, um executivo sugere que Wilson faça um documentário centrado em um músico, já que muitos filmes do gênero seguem esse caminho. Depois de procurar sem sucesso, o cineasta conhece Jack Macco em uma loja de bebidas, enquanto ele distribuía amostras grátis de tequila.

Macco tocava em uma banda, e os dois passaram o ano e meio seguinte juntos. Wilson o acompanha em apresentações em bares de Long Island e festivais em Montauk, registrando conversas sobre vida, paixão e perda. Embora esse material não trate diretamente do concreto, ele funciona como contraste para as inseguranças do diretor.

Macco, segundo Wilson, não duvidava da própria carreira e se concentrava na emoção de tocar, independentemente da qualidade do show. O otimismo do músico se torna uma das referências pessoais dentro do documentário.

Imagens sem arquivo organizado

Grande parte do filme foi registrada com uma câmera Sony FS5. Wilson não mantém um sistema avançado para encontrar imagens específicas. Ele filmava todos os dias, colocava o material em uma sequência cronológica e depois reunia os trechos favoritos em outra, sem critério de organização.

Quando enfrentava um bloqueio criativo, passava o vídeo para frente e para trás até encontrar uma imagem que pudesse despertar uma ideia. Assim surgem cenas como a de um homem tocando um piano de brinquedo minúsculo na rua ou a de uma lata de cerveja presa à lateral de uma prateleira.

Para Wilson, esse processo se opõe ao hábito de criadores que filmam o próprio rosto com celulares para promover alguma coisa. Ele defende a gravação de cenas sem finalidade imediata, como um vídeo caseiro, e considera importante não saber desde o começo por que determinada imagem está sendo registrada.

“Estou sempre gravando sem saber para quê”, diz. A prática, para o cineasta, não tem começo nem fim: segue a intuição sobre o que parece interessante, mesmo sem uma função definida no momento da filmagem.

Texto produzido pela Redação Cena Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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