SÃO PAULO — O club Madame Satã voltou a funcionar em 2012 pelas mãos do DJ Gé Rodrigues e do empresário Igor Calmona, depois de fechar as portas no fim dos anos 2000. Rodrigues começou a carreira na música no próprio espaço, que retomou as atividades com a estética dark preservada e passou a ser conhecido novamente como Madame. Os frequentadores, porém, continuam acrescentando “Satã” ao nome da casa.
A programação atual reúne festas e shows de música gótica, pós-punk, darkwave e EBM, mantendo o endereço ligado à cena underground paulistana. Antes da pausa, o club já havia passado por mudanças e chegou a ter o nome substituído em alguns períodos.
Um espaço para diferentes expressões
A história começou em outubro de 1983, na reta final do regime militar no Brasil. O projeto inicial era o de um restaurante cultural, criado por Miriam Dutra, Márcia Dutra, Wilson José e Williams Jorge. Com o tempo, o local mudou de perfil e abriu espaço para apresentações de teatro, música e artes em geral.
O nome foi inspirado em João Francisco dos Santos, figura associada à boemia da Lapa carioca e conhecida pelo apelido Madame Satã. A proposta era acolher pessoas que viviam fora dos padrões considerados normais, incluindo os chamados transgressores. Essa identidade ajudou a formar o ambiente da casa, marcado por uma estética sombria que permanece.
Palco e pista
RPM, Ira!, Titãs e Legião Urbana estão entre os grupos que se apresentaram no local. A pista também reunia artistas, intelectuais, pessoas de terno, estudantes, punks e góticos. Rita Lee, Cazuza, Renato Russo, Claudia Wonder, Marisa Orth, João Gordo e Kid Vinil estiveram entre os visitantes.
Assim, o Madame Satã atravessou diferentes fases sem abandonar a ligação com a música e as artes. Mesmo após as alterações de nome e o encerramento no fim dos anos 2000, o retorno em 2012 recolocou o club na programação da noite paulistana.







