A animação Papaya, de Priscilla Kellen, estreia nos cinemas nesta quinta-feira (24) e acompanha uma pequena semente de mamão que sonha em voar. Para manter esse desejo, ela precisa continuar em movimento e evitar criar raízes — até perceber que crescer também pode envolver conexão e pertencimento.
Com 74 minutos e sem diálogos, o filme conduz a história por meio de imagens, sons, movimentos, da música de Tulipa Ruiz e da trilha de Talita Collado. A ausência de falas permite que o público acompanhe o percurso da protagonista e atribua sentidos ao que ela sente e deseja, sem que a narrativa precise explicar tudo.
Uma animação entre o lúdico e o simbólico
A produção combina formas bidimensionais, colagens e recortes para criar um universo visual colorido, orgânico e mutável. A estética tem inspiração nos grafismos latino-americanos e nas obras paper-cutout de Henri Matisse. As cores e formas não aparecem apenas como elementos decorativos: elas permanecem em movimento e ajudam a construir o mundo da semente.
A proposta também amplia o alcance da animação. Infantil, Papaya respeita a capacidade de interpretação das crianças sem limitar a experiência a esse público. A narrativa equilibra elementos lúdicos e simbólicos para abordar o amadurecimento sem transformar a descoberta da identidade em uma defesa simples da liberdade individual.
Ao longo do caminho, as raízes, que inicialmente parecem ameaçar o sonho de voar, passam a representar uma possibilidade de vínculo. A protagonista encontra outras formas de vida e começa a entender que ninguém cresce completamente sozinho.
Assim, o filme relaciona autonomia e criação de laços. A ideia de comunidade não surge como o oposto da individualidade, mas como parte da construção de quem cada pessoa é. A trajetória da semente transforma o crescimento em um processo que não significa necessariamente ir embora, abrindo espaço para diferentes interpretações sobre pertencimento e conexão.







