VINHEDO — O Ministério Público de São Paulo solicitou uma perícia policial na montanha-russa Montezum, do Hopi Hari, para investigar o acidente que deixou Júlia Bossoni com sequelas físicas e neurológicas. A jovem sofreu um traumatismo cranioencefálico durante o passeio, ficou 57 dias internada e segue em reabilitação.
Imagens de câmeras de segurança mostram Júlia consciente durante a subida do carrinho. O restante do percurso não aparece nas gravações. Cerca de dois minutos depois, o veículo voltou à plataforma com a jovem desacordada e em convulsão.
Atendimento e cirurgia
Júlia e o companheiro, João Pedro Bossoni, viajaram de Londrina, no Paraná, para visitar o parque em abril. O casal já havia usado a atração no mesmo dia sem intercorrências e retornou após receber um acesso promocional.
Funcionários do parque prestaram atendimento. Seis minutos depois, Júlia foi retirada em uma maca e levada à Santa Casa de Vinhedo, onde entrou diretamente na UTI. Os primeiros exames identificaram hemorragia intracraniana e um grande edema cerebral.
A jovem passou por uma craniectomia descompressiva, procedimento que retira temporariamente parte do crânio para permitir espaço ao cérebro inchado. O neurocirurgião Victor Batistela explicou que um movimento brusco de aceleração, desaceleração e rotação pode romper vasos sanguíneos e causar hemorragia e edema.
Um laudo médico citado no caso apontou que o trauma teria ocorrido por um mecanismo de contragolpe. João Pedro afirmou que Júlia perdeu completamente os movimentos do lado esquerdo, além de apresentar dificuldade de fala e alterações de memória.
Família pede esclarecimentos
A família entrou na Justiça para pedir uma perícia sobre as circunstâncias do episódio. Cinco meses depois, Júlia já havia passado por sete cirurgias. A mãe, Danielle Rimolli, contou que a reabilitação inclui fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia.
A investigação do Ministério Público é distinta de uma manifestação citada pelo Hopi Hari, emitida em agosto de 2026 após outro atendimento médico. Segundo a empresa, esse documento não identificou risco coletivo na atração e apontou a regularidade do funcionamento, além da existência de protocolos de manutenção e segurança.
O parque declarou que a Montezum tem certificação internacional do grupo TÜV Nord, passa por inspeções anuais e segue as normas nacionais de segurança. Também afirmou que Júlia recebeu atendimento imediato, que acompanhou a internação e que as despesas do período em Vinhedo foram custeadas pela empresa. Um seguro foi disponibilizado à família.
Outros relatos envolvendo a atração
A apuração também reuniu relatos de Nathalia Assenjo Motta, que sofreu uma lesão cervical após andar na Montezum em 2018, e de Márcio, que ficou tetraplégico depois de um passeio em 2014 e morreu em 2023 por complicações de uma infecção urinária.
No caso de Nathalia, o deslocamento das vértebras exigiu 12 pinos e duas hastes na região cervical. Ela recuperou os movimentos três dias depois, mas permaneceu com limitações no pescoço.
Também foram encontrados cerca de 40 registros, nos últimos dois anos, de visitantes que relataram dores ou lesões após utilizar a montanha-russa. Entre os relatos estão problemas no pescoço, lesões no joelho e fraturas nas costelas.
O Hopi Hari afirmou que esses registros representam um número estatisticamente pequeno diante do total de visitantes. A empresa informou que mais de 870 mil pessoas foram ao parque desde janeiro deste ano e que aproximadamente 470 mil passaram pela Montezum no período. A atração tem reforma prevista para o fim de 2026.







