Augusto Cury (Avante) colocou o agronegócio entre as principais bandeiras de sua campanha à Presidência da República. Escritor e médico psiquiatra, ele também se apresenta como produtor rural e defende dobrar a produção brasileira de alimentos em oito a dez anos.
Entre as propostas estão ampliar o seguro rural para uma faixa entre 30% e 50%, atrair capital estrangeiro com juros menores, fortalecer a Embrapa e o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e criar 10 mil agroindústrias. Cury também afirma ter como meta a instalação de pelo menos 100 usinas de etanol de milho.
Produção, crédito e seguro
Na avaliação do candidato, o setor enfrenta dificuldades financeiras porque os custos de custeio chegam a 20%, enquanto a lucratividade de alguns projetos fica entre 5% e 7% ao ano. Ele classifica a situação dos produtores como uma “crise sem precedentes” e diz que o campo vive um “caos”.
Cury afirma que o seguro rural cobre hoje no máximo 3% e defende uma expansão para 30%, 40% ou 50%. Também propõe trazer pelo menos US$ 200 bilhões por ano de fundos soberanos de outros países, com proteção em dólar e segurança jurídica. A ideia seria oferecer financiamentos com juros entre 4% e 6% ao ano.
O candidato ainda mencionou o déficit de R$ 92,2 bilhões registrado neste ano e os R$ 1,14 trilhão do ano passado usados para rolar a dívida federal. Para ele, o país precisa reduzir a dependência do rentismo e priorizar a produção.
Semiárido e agroindústria
Outro objetivo apresentado por Cury é transformar 12% do semiárido em uma área de fruticultura, horticultura, agroindústria e produção de proteína animal. Ele citou o Vale do Jequitinhonha, o norte de Minas e grande parte do Nordeste como regiões que deveriam receber investimentos.
O candidato também propõe trabalhar com China e Israel em tecnologia para pequenas áreas e otimização de recursos hídricos. Na fruticultura, quer elevar as exportações brasileiras para pelo menos US$ 10 bilhões. Atualmente, segundo os dados apresentados por ele, o Brasil exporta entre US$ 1,2 bilhão e US$ 1,5 bilhão em frutas.
Para ampliar o processamento, Cury defende a criação de 10 mil agroindústrias, com predominância de microagroindústrias, além de médias e grandes empresas. Ele também quer transformar usinas de etanol de cana em unidades híbridas, capazes de processar milho durante períodos de ociosidade.
A proposta inclui ainda uma Secretaria de Bioenergia dentro do Ministério da Agricultura e um Ministério da Energia Renovável, que poderia funcionar dentro do Ministério da Indústria. O plano contempla investimentos em energia eólica, solar e hidrogênio verde.
Metas para alimentos e financiamento
Cury afirma que o país deveria aumentar a produção de alimentos de 350 milhões para 700 milhões de toneladas. Para isso, considera necessário dobrar também a produção brasileira de milho e ampliar o uso do grão seco de destilaria, com aproximadamente 30% de proteína, na avicultura, na suinocultura e na bovinocultura.
O candidato defende que o Brasil passe a exportar produtos acabados, e não apenas commodities in natura. Também propõe dividir o BNDES em dois: um banco voltado às microempresas e outro dedicado às grandes empresas. A meta citada é financiar 10 milhões de microempresas nos próximos oito a dez anos.
Na área de pesquisa, Cury diz que a Embrapa e o Instituto Agronômico de Campinas precisam ser fortalecidos. Ele também afirma que cerca de 4 milhões de agricultores familiares deveriam receber apoio por meio de seguro e tecnologia.







