BRASÍLIA — A CPMI do INSS questionou o empresário Domingos Sávio de Castro sobre empresas, entidades associativas e repasses financeiros relacionados a um esquema que teria desviado mais de R$ 500 milhões de aposentados, pensionistas e órfãos. Condenado em primeira instância por organização criminosa em um processo de 2019, Castro recorreu à segunda instância e permaneceu em silêncio em diversas perguntas durante a oitiva desta terça-feira (28).
A sessão começou às 12h12 e terminou às 17h59. O depoimento foi conduzido pelo presidente da comissão, Carlos Viana (PODEMOS-MG), com questionamentos do relator, Alfredo Gaspar (UNIÃO-AL). Ao longo da reunião, parlamentares anunciaram a intenção de pedir a prisão preventiva do empresário.
Empresas e relações investigadas
Entre os primeiros temas abordados esteve a Callvox, empresa de propriedade de Castro criada em maio de 2022. Gaspar destacou que a companhia foi fundada um mês depois de a Unaspub celebrar um acordo de cooperação técnica com o INSS, em 27 de abril de 2022.
Castro afirmou que a Callvox era exclusiva da Unaspub e prestava serviço de atendimento ao cliente para a entidade. Ele disse ter conhecido uma administradora identificada como Janete, em Belo Horizonte, e mencionou também Antônio Lúcio, que vendia produtos de benefícios em Brasília. O empresário declarou que o telefone 0800 da Unaspub aparecia no contracheque dos servidores do INSS e estimou as reclamações contra a Callvox em 4% a 5%.
A comissão também questionou a relação de Castro com Antônio Carlos Camilo, conhecido como Careca do INSS. O empresário confirmou que Camilo era sócio da Prospect e, junto com a Callvox, da ACDS. Castro negou que Camilo tivesse participação na Callvox, mas disse que os dois foram criados na Cidade Satélite do Guará, em Brasília.
Quando passou a ser questionado sobre a DM&H Assessoria Empresarial, Castro adotou o direito ao silêncio por orientação da advogada Renata Mota de Carvalho. Ele não respondeu sobre os sócios da empresa, a relação com a Prospect e o recebimento de quase R$3 milhões dessa companhia. Também deixou sem resposta perguntas sobre R$7 milhões recebidos da DM&H, o envio de R$1,5 milhão para Adelino Rodrigues Junior e o recebimento de 1,6 milhão da ACDS Call Center.
Valores citados na sessão
O relator apresentou um gráfico que, segundo ele, reunia empresas e movimentações financeiras do esquema investigado. A CBPA teria recebido R$221 milhões, enquanto a Abrasprev teria desviado R$67 milhões. Castro era apontado como procurador da Abrasprev, e Adelino Rodrigues Junior, seu funcionário, aparecia como procurador da CBPA.
Sobre a Prospect, Gaspar mencionou transferências de R$511 mil, R$1.621 milhão e R$895 mil para Castro. A DM&H teria enviado R$7 milhões, enquanto a ACDS teria repassado R$1.6 milhão e a Callvox, R$1.2 milhão.
Castro confirmou que Adelino era seu funcionário, com salário de R$5 mil por mês. Também disse não saber quem o colocou como procurador da CBPA nem se ele movimentava os R$221 milhões recebidos pela entidade. O relator afirmou ainda que Adelino teria enviado R$59 mil a Thaisa Hoffmann, esposa do Procurador-Geral do INSS. Castro negou conhecer Thaisa.
O empresário confirmou que sua participação na ACDS era de 33%, enquanto a Prospect detinha 67%. Ele também informou que a D&C Corretora de Seguros foi fundada em 12 de maio de 2016 e que Raquel Felix Teixeira é funcionária da Callvox.
Ao final, Alfredo Gaspar afirmou que pretende solicitar a prisão preventiva de Castro por garantia da ordem pública, aplicação da lei penal e conveniência da instrução criminal. A CPMI investiga possíveis fraudes em acordos de cooperação técnica com o INSS e descontos irregulares feitos sobre recursos de beneficiários.








