Deputados federais do PT, PSOL e PCdoB anunciaram que vão pedir a investigação da relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. As medidas incluem uma denúncia à Polícia Federal, um requerimento à Receita Federal e um pedido de abertura de CPI.
A iniciativa foi anunciada nesta quarta-feira (13) e tem como base informações sobre uma negociação para financiar um filme sobre a família Bolsonaro. O valor discutido seria de aproximadamente R$ 134 milhões. Vorcaro está preso sob suspeita de liderar uma organização criminosa envolvida em fraudes financeiras.
Mensagens, áudios, documentos e comprovantes bancários indicariam que Flávio tratou diretamente com o banqueiro sobre os pagamentos. Parte do dinheiro teria sido transferida entre fevereiro e maio de 2025 por uma empresa controlada por Vorcaro para um fundo nos Estados Unidos administrado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio.
Em um áudio, o senador cobra o envio de recursos para quitar parcelas relacionadas à produção, que estava sendo realizada no exterior com atores e equipe estrangeiros. Flávio afirma que o filme vivia um momento decisivo e que havia preocupação entre os envolvidos por causa dos pagamentos atrasados.
O líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), disse que vai encaminhar à Receita Federal questionamentos sobre a legalidade da operação, incluindo a eventual declaração e tributação dos recursos enviados ao fundo nos Estados Unidos. Os parlamentares também querem que a Polícia Federal abra um inquérito para apurar possíveis crimes.
Tarcísio Motta (RJ), líder da federação PSOL/Rede na Câmara, mencionou suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção passiva, tráfico de influência e financiamento ilegal. Já Jandira Feghali (RJ), líder da bancada do PCdoB, questionou se o orçamento de R$ 134 milhões seria compatível com a produção de um filme biográfico.
A deputada comparou o valor aos orçamentos citados para Ainda Estou Aqui, de R$ 50 milhões, e Agente Secreto, de R$ 28 milhões. Ela defendeu a apuração do destino dos recursos e de quem teria recebido o dinheiro.
Flávio Bolsonaro confirmou que buscou patrocínio privado com Vorcaro para o filme e disse que conheceu o banqueiro em dezembro de 2024. Segundo o senador, o contato foi retomado por causa do atraso nas parcelas necessárias para concluir a produção.
Em nota, Flávio negou ter oferecido vantagens indevidas, intermediado negócios com o governo ou recebido dinheiro ou qualquer benefício. Ele afirmou: “Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet”. O senador também classificou a relação como privada e disse que não houve encontros fora da agenda.







