PIAUÍ — Uma empresa aberta pelo senador Ciro Nogueira movimentou R$ 5,1 milhões em um intervalo de 12 meses, apesar de ter permanecido por mais de dez anos sem nenhum funcionário. As transações ocorreram entre 10/07/2020 e 05/07/2021.
A informação está em um relatório da Polícia Federal cujo sigilo foi retirado por André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal, na última semana. Ciro é candidato à reeleição e é investigado no caso relacionado ao Banco Master.
Para a PF, há suspeita de que a conta da empresa tenha sido usada para movimentar operações de outros negócios. A hipótese levantada pelos investigadores envolve ocultação, burla ou sonegação fiscal. O endereço informado como sede, no Piauí, também é ocupado por uma concessionária de carros que não tem relação com o senador.
Investigação sobre atuação no Congresso
Em mais de quatro relatórios, a Polícia Federal analisou a movimentação financeira de Ciro Nogueira e os benefícios que ele teria recebido por articulações no Congresso em favor do Banco Master. Entre as medidas citadas está uma emenda que ampliava o Fundo Garantidor de Créditos.
Os investigadores afirmam que “Ciro Nogueira atuou em benefício de interesse particular, dissociado da representação dos interesses da coletividade ou de seu Estado”, relacionando essa atuação às vantagens indevidas que Daniel Vorcaro teria recebido.
Declaração do senador
Depois de ser alvo de uma operação, Ciro Nogueira minimizou a investigação. O senador disse que acusações já atingiram políticos em diferentes momentos e afirmou que a comprovação é outra etapa.
“Para acusar, a criatividade é infinita; na hora de comprovar, não conseguiram nem conseguirão”, declarou. Ciro também afirmou ter a consciência tranquila e disse que sua honra foi prejudicada até a conclusão do caso.







