VOLTA REDONDA — A família da influenciadora Marta Oliveira pretende contratar médicos de fora da região para analisar os documentos do atendimento realizado antes da morte dela, em 17 de agosto. O objetivo é esclarecer tecnicamente a rápida piora do quadro após uma cirurgia plástica e avaliar informações consideradas divergentes no prontuário.
O marido de Marta, Marcus Vinicius, afirma que ainda não recebeu uma explicação concreta para o falecimento. “Não tenho informação concreta da causa do falecimento dela”, declarou. A defesa diz que, por enquanto, não pretende apontar culpados nem concluir se houve falha médica.
Alta e retorno ao hospital
Marta foi operada em 12 de agosto, no Hospital Unimed Volta Redonda. O procedimento durou aproximadamente seis horas e incluiu abdominoplastia, lipoaspiração 3D, próteses de silicone nos seios, enxerto de gordura nos glúteos e lipoaspiração na papada.
Segundo Marcus, ela recebeu alta na manhã seguinte, mesmo sem ter urinado. Já em casa, apresentou vômitos e diarreia e pediu para voltar ao hospital. Durante a reinternação, começou a reclamar de falta de ar na sexta-feira, 14 de agosto. A influenciadora chegou a gravar um vídeo, mas, conforme o marido, já não conseguia falar.
Uma segunda cirurgia foi realizada na madrugada de sexta para sábado. Marcus afirma que ainda busca saber o que motivou a reoperação e quais complicações foram identificadas. Depois, Marta foi encaminhada à UTI e intubada. Na segunda-feira, 17 de agosto, o marido recebeu a informação de que o coração funcionava com apenas 15% da capacidade. Pouco depois, foi comunicado da morte. Ele relata que ela sofreu duas paradas cardíacas naquele dia.
Questionamentos da defesa
Os advogados Raphael Naves e Carlos Barbosa Ribeiro afirmam que estão examinando a documentação médica e planejam obter uma avaliação técnica independente. Um dos pontos analisados é uma possível diferença entre uma tomografia, que teria indicado sangramento, e os achados de uma cirurgia exploratória posterior.
A defesa também afirma que um vídeo feito durante o procedimento e mostrado a Marcus não aparece no prontuário entregue à família. Os advogados solicitaram ainda as imagens das câmeras de segurança do momento em que o registro foi apresentado. O hospital informou que os arquivos estão preservados, mas só seriam liberados mediante processo judicial.
Outro pedido envolve os registros de acesso ao prontuário. A intenção é verificar quem consultou as informações de Marta durante a internação e como dados sobre o estado de saúde dela teriam circulado antes de determinados comunicados ao marido.
Investigação e declaração de óbito
O caso é alvo de uma sindicância no Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj). A defesa pretende contratar médicos de fora da região para emitir um parecer e, somente depois, avaliar eventuais medidas no conselho, na Justiça, no Ministério Público e na polícia.
A declaração de óbito registra três causas associadas: choque misto refratário, insuficiência cardíaca aguda e sepse de foco indeterminado. O documento não aponta uma origem específica para a sepse.
Marta tinha 33 anos, estava com Marcus havia 15 anos e os dois tinham três filhos: Théo, Ravi e Filippo. De acordo com o marido, ela desejava fazer a cirurgia havia anos, havia realizado os exames pré-operatórios e não tinha problemas de saúde conhecidos.
Posicionamento do hospital
O Hospital Unimed Volta Redonda informou que mantém protocolos institucionais para analisar atendimentos que demandem apuração. A instituição afirmou que não divulgará informações adicionais por respeito à privacidade da paciente e dos familiares e em razão do sigilo médico. Também disse estar à disposição das autoridades competentes para prestar esclarecimentos.







