VINHEDO — O Hopi Hari informou que vai assumir, de forma retroativa, as despesas dos cuidados essenciais de Júlia Bossoni, jovem que sofreu traumatismo cranioencefálico durante um passeio na montanha-russa Montezum. A decisão foi comunicada depois que a família relatou ter arcado com custos superiores a R$ 70 mil após a alta hospitalar.
Júlia, de 28 anos, permanece em processo de reabilitação e já passou por sete cirurgias. Ela ficou 57 dias internada em Vinhedo e enfrenta sequelas físicas e neurológicas.
Imagens são motivo de contestação
A defesa, representada pela advogada Luana Bossoni, afirma que o parque não disponibilizou à polícia imagens da descida da Montezum, trecho que teria provocado o trauma. De acordo com Luana, uma câmera terceirizada encontrada no local registra o percurso exato do brinquedo, mas a empresa teria fornecido apenas imagens de momentos anteriores e posteriores à descida.
A advogada também citou o mapa oficial do parque, que apresenta o espaço “Montezum Shopi”, voltado à venda de lembranças e fotografias feitas durante a atração. Para a defesa, a ausência dos registros e da informação sobre a câmera pode representar uma tentativa de omitir provas.
O Hopi Hari contesta essa versão. Em nota, afirmou que as imagens das câmeras foram apresentadas em uma ação judicial de produção antecipada de provas movida pela família. O parque também declarou que as fotos são feitas por uma empresa terceirizada em pontos específicos. “A atração não possui câmeras no percurso após a primeira descida, apenas nos trechos apresentados”, informou.
Despesas após a alta
Segundo a defesa, o parque pagou alimentação e hospedagem da família durante a permanência em Vinhedo, mas interrompeu os pagamentos quando Júlia voltou para Londrina, no Paraná. A advogada disse ainda que, enquanto estava internada, a jovem utilizava o próprio plano de saúde.
O parque afirmou que identificou uma lacuna entre a alta em Vinhedo e o início da recuperação na cidade natal da jovem. Por isso, informou que cobrirá os gastos essenciais desde a saída do hospital. “O pagamento será retroativo à data de alta do hospital em Vinhedo”, declarou.
A empresa acrescentou que o processo sobre eventual indenização continua em andamento. Também afirmou ter prestado atendimento imediato após o episódio, com primeiros socorros no ambulatório e encaminhamento de Júlia para a Santa Casa de Vinhedo.
O que aconteceu na atração
Júlia e o marido, João Pedro Bossoni, viajaram de Londrina para visitar o Hopi Hari em abril. O casal foi à Montezum duas vezes no mesmo dia. Na primeira passagem, não houve intercorrências. Depois de receberem um acesso promocional, os dois decidiram retornar ao brinquedo.
Um vídeo feito no embarque mostra o casal apreensivo. Câmeras registraram Júlia consciente durante a subida, mas não há imagens do restante do trajeto. Dois minutos depois, os dois chegaram à plataforma, onde a jovem apareceu desacordada e em convulsão. Funcionários prestaram atendimento e, seis minutos depois, ela foi retirada em uma maca.
Júlia foi levada à Santa Casa de Vinhedo e encaminhada diretamente à UTI. Exames apontaram hemorragia intracraniana e edema cerebral. Ela passou por uma cirurgia de emergência e recebeu o diagnóstico de traumatismo cranioencefálico.
A família pediu na Justiça uma perícia para esclarecer as circunstâncias do episódio. O caso é investigado pelo Ministério Público de São Paulo.







