Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a extinção do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o FEFC, e afirmou que uma reforma política é necessária para mudar o sistema partidário e o financiamento das eleições. O presidente da República e candidato à reeleição falou sobre o tema em entrevista ao programa Canal Livre.
Lula disse que o fim do fundo ajudaria a encerrar a promiscuidade política. Na avaliação dele, alterações nas regras enfrentam resistência porque atingem diretamente os interesses de deputados e partidos. O presidente também afirmou que não é possível manter o Congresso Nacional com 50% do orçamento da União.
Para Lula, a polarização no Brasil só será superada com uma reforma capaz de estimular partidos com manifesto, compromisso com a sociedade, bandeira, programa e comportamento ético. “Quando se trata da reforma política, você está mexendo com o interesse pessoal de cada deputado, de cada partido político”, declarou.
Na área da segurança pública, o presidente afirmou que pretende criar um ministério exclusivo para o setor caso seja reeleito. Atualmente, o tema está sob responsabilidade do Ministério da Justiça. A mudança, segundo Lula, dependeria da aprovação de uma emenda constitucional.
Ele também propôs uma polícia especial para enfrentar o crime organizado nas comunidades e uma Força Nacional com capacidade de intervir em qualquer situação. Lula avaliou que operações federais com participação das Forças Armadas não produziram o resultado esperado: os criminosos deixavam os locais durante a presença do Exército e retornavam depois da saída dos militares.
O presidente criticou ações violentas em comunidades e defendeu a asfixia financeira das organizações criminosas. Para ele, o crime “virou uma indústria multinacional”, com presença na Justiça, na polícia, no futebol, na política e no empresariado. Lula afirmou ainda que o Estado deve manter presença nas comunidades por meio de ocupação ordenada e políticas públicas.
Lula também explicou sua oposição à classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos. Ele associou a definição ao que chamou de terrorismo de Estado do presidente americano Donald Trump e diferenciou essa situação do terrorismo que, segundo ele, afeta as comunidades brasileiras.







