Mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro mostram uma sequência de cobranças para liberar recursos destinados a Dark Horse, filme de propaganda sobre Jair Bolsonaro (PL). Os diálogos com o cunhado Fabiano Zettel registram atrasos, dificuldades para definir a empresa responsável pelos pagamentos e pressão para concluir os repasses.
Em 20 de janeiro de 2025, Zettel avisou que o responsável pelo filme o cobrava com insistência. Na véspera, o publicitário Thiago Miranda havia reforçado que aquela seria a data-limite para o primeiro aporte. As conversas também indicam que o longa era tratado por Vorcaro como uma prioridade entre os pagamentos pendentes.
No dia seguinte, enquanto os dois discutiam um fluxo de 55,5 milhões, Vorcaro perguntou se o filme estava incluído. A resposta separou a produção do restante da operação e mencionou um valor de 2.5 de dólares. Uma semana depois, diante da falta de repasse, o banqueiro classificou a tarefa como a mais importante e cobrou que não houvesse novos erros.
Entraves para os pagamentos
Em 29 de janeiro, Zettel relatou que a empresa criada para realizar as operações não tinha cadastro suficiente para fazer os câmbios do filme. No dia seguinte, informou que o repasse seria de 2M de dólares. A indefinição continuou nas mensagens seguintes, com pedidos para saber qual empresa deveria pagar a produção.
Em 3 de fevereiro, a situação ainda aparecia entre as pendências. Zettel cobrava a definição da empresa e a liberação de uma TED, enquanto Vorcaro insistia na necessidade de resolver o câmbio. Na mesma conversa, o cunhado informou ter enviado uma carta de 34M para cobrir itens como o filme, despesas e outro pagamento identificado nas mensagens como SL.
A alternativa passou a envolver a Entre Investimentos e Participações, ligada a Antonio Carlos Freixo Júnior, chamado de Mineiro nas conversas. Em 5 de fevereiro, Vorcaro sugeriu fazer a operação por meio da empresa, e Zettel indicou que pediria ajuda a Mineiro. A estrutura previa o envio de recursos para um fundo no exterior.
Em 6 de fevereiro, Thiago Miranda voltou a cobrar Vorcaro sobre a paralisação do filme. O banqueiro respondeu que os pagamentos haviam sido devolvidos duas vezes e que havia problemas para realizar o câmbio. Em 11 de fevereiro, Zettel afirmou que havia passado o caso a Mineiro, que também enfrentava dificuldades. Vorcaro exigiu uma solução no mesmo dia.
Três dias depois, Zettel compartilhou um comprovante de transferência de 2 milhões de dólares da Entre Investimentos para o Havengate Development Fund LP, fundo sediado no Texas, nos Estados Unidos, sob responsabilidade do advogado Paulo Calixto.
Pagamentos e investigação
Em 12 de março, Thiago Miranda informou que apenas a primeira parcela de janeiro havia sido paga. Vorcaro pediu que Zettel acompanhasse a situação e cobrasse as parcelas seguintes. Em 18 de agosto de 2025, Miranda voltou a dizer que parcelas não haviam caído na semana anterior. No mês seguinte, Vorcaro afirmou que seu esforço era máximo e que o filme tinha prioridade total.
Vorcaro chegou a pagar mais de 60 milhões de reais por meio do Havengate para supostamente viabilizar Dark Horse. O acordo inicial previa cerca de 134 milhões de reais.
A Polícia Federal investiga o financiamento da produção por suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros possíveis crimes que, em tese, teriam sido praticados por Flávio Bolsonaro.







