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Paulo Guedes assessorou empresa de cripto alvo da CVM que agora dá calotes
Brasil

Paulo Guedes atuou na OnilX, alvo de ordem da CVM e de ações por calote

Ex-ministro dava palestras, recebia investidores e participava de reuniões da empresa, que nega irregularidades e diz atuar de forma regular.

Paulo Guedes atuou diretamente na OnilX, empresa de criptomoedas que prometia rendimentos de até 2,8% ao mês e hoje é alvo de mais de uma centena de processos judiciais. Investidores afirmam que não conseguem resgatar os valores aplicados e suspeitam de um esquema de pirâmide financeira.

A empresa recebeu uma stop order da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em 12 de janeiro de 2026. A decisão determinou a suspensão imediata da oferta pública de serviços de intermediação de valores mobiliários pela OnilX, sob pena de multa diária.

Presença de Paulo Guedes

Embora não apareça no quadro societário da companhia, o ex-ministro da Economia dava palestras e consultorias, participava de reuniões com parceiros comerciais e recebia potenciais investidores. A imagem dele também era usada em materiais publicitários da empresa.

Em dezembro passado, Guedes apareceu ao lado de Fábio Lino, dono da OnilX, e de executivos da Visa. A publicação descreveu o encontro como uma reunião estratégica voltada a discutir o uso de stablecoins no cotidiano e afirmou que o ex-ministro oferecia suporte e visão à companhia.

Um casal que entrou na Justiça para cobrar R$ 876.513,00 disse ter feito novos aportes depois de participar de uma reunião com Guedes na sede da empresa, em abril deste ano. O investimento não foi resgatado quando os autores tentaram sacar os recursos, em agosto.

Em outro processo, uma assessora afirmou que Guedes estava dentro da empresa e poderia participar de reuniões com investidores interessados em aplicar valores altos. A declaração foi usada para reforçar a credibilidade da OnilX diante de um cliente.

O ex-ministro também elogiou a companhia durante uma palestra para uma plateia de quase 500 pessoas, formada por assessores e investidores. Guedes não se manifestou quando procurado. Fábio Lino também não explicou os termos da contratação nem respondeu sobre os processos judiciais.

Decisão da CVM

A CVM concluiu que a OnilX não tinha autorização para intermediar valores mobiliários, atuar como assessora de investimentos ou captar recursos. Pareceres técnicos apontaram a oferta de contratos com promessa de rentabilidade fixa diária ou mensal e operações de arbitragem em moedas estrangeiras no mercado de balcão, características associadas a contratos de investimento coletivo sujeitos à regulação federal.

Anne Caroline Marciquevik, que foi assessora especial de Guedes, passou a representar a OnilX em reuniões com a autarquia na tentativa de derrubar a ordem. Desde a decisão, ela se reuniu seis vezes com autoridades da CVM. Em 1º de abril, o colegiado negou, por maioria de votos, o pedido de revogação da medida.

Na mesma decisão, a CVM aceitou por unanimidade esclarecer que a proibição não alcançava a intermediação simples de criptoativos como Bitcoin, Ethereum e USDT quando não houvesse promessa de rendimento ou contrato de investimento.

Entre 12 de junho e 10 de setembro, foram identificadas 108 ações contra o grupo nas Justiças do Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Alagoas e Pará. Os investidores dizem ter confiado milhões de reais à empresa em criptoativos e stablecoins, mas relatam dificuldades para recuperar os valores.

Em nota publicada no próprio site, a OnilX afirma ser regular e confiável, ter CNPJ ativo, sede no Brasil e cerca de cinco anos de atuação no mercado de ativos virtuais. A empresa diz oferecer compra, venda, troca, intermediação e custódia de criptomoedas.

A companhia sustenta que a decisão da CVM não representa uma proibição geral de suas atividades. Segundo a OnilX, a restrição se aplica apenas a operações caracterizadas como oferta ou intermediação de valores mobiliários. A empresa também afirma que não atua como gestora de investimentos, não promete rentabilidade fixa e não oferece contratos de investimento coletivo.

Texto produzido pela Redação Cena Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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