Uma fraude digital usa a imagem de Luciano Hang para levar usuários a sites de investimento sem relação com o empresário. As publicações simulam uma notícia, associam Fernando Haddad a um suposto atentado contra Hang e prometem ganhos de até R$ 10 mil por dia mediante um investimento inicial.
Hang negou ter sido atacado e afirmou que sua imagem vem sendo usada em conteúdos falsos. A Havan também informou que o empresário não sofreu nenhum ataque e que a empresa não recomenda, não participa nem mantém relação com plataformas de investimento financeiro.
Imagens e páginas falsas
Uma das versões aparece em uma publicação no X que direciona para uma página com aparência de reportagem. A postagem exibe uma montagem com imagens de Hang ferido, Haddad e um carro alvejado diante de uma loja da Havan. A análise do SynthID indicou que as imagens foram produzidas com a ferramenta de inteligência artificial da Google.
O endereço acessado não pertence ao portal de notícias que a página tenta imitar. A URL, a estrutura e os elementos gráficos são diferentes dos usados pelo site verdadeiro. Na página, um botão convida o leitor a acessar o suposto site oficial da plataforma.
O conteúdo menciona a Bergmann Core e afirma, sem fundamento, que ela teria ligação com Hang. Em outro trecho, diz que a plataforma renderia R$ 20.000 por semana para milhares de brasileiros. Há ainda uma versão divulgada no Facebook que cita a Clara Fundência, supostamente criada por Hang e pelo jogador Neymar.
Em 28 de agosto, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo determinou que o X removesse publicações que relacionavam Haddad ao caso. A decisão da juíza auxiliar da propaganda eleitoral Domitila Manssur apontou que o atentado não aconteceu e que as postagens serviam como isca para um site fraudulento. Haddad é candidato ao governo de São Paulo.
Promessa de lucro e formas de proteção
As páginas tentam estimular o clique com uma história grave e imagens manipuladas. Depois, apresentam a suposta plataforma e prometem rendimentos elevados. Em uma delas, a promessa varia de R$ 3 mil a R$ 10 mil por dia após cadastro e ativação da conta.
O objetivo é convencer a vítima a depositar dinheiro e entregar dados pessoais. Para o advogado especializado em Direito Digital e Internet Márcio Stival, a estratégia é recorrente: “Normalmente golpistas utilizam plataformas em rede social para divulgar notícias falsas com questões que chamam bastante atenção”.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública recomenda desconfiar de ofertas muito vantajosas. Alessandro Barreto, coordenador do Laboratório de Operações Cibernéticas, orienta: “Se uma oferta parece boa demais para ser verdade, desconfie”.
Também é recomendado usar senhas diferentes, ativar a autenticação em dois fatores e manter aplicativos e sistemas atualizados. Quem identificar um conteúdo suspeito pode denunciá-lo na própria rede social. Em caso de prejuízo, a vítima deve registrar boletim de ocorrência, guardar capturas de tela, comprovantes, conversas e endereços dos sites, além de avisar o banco e os órgãos de defesa do consumidor.







