BELO HORIZONTE — A Justiça suspendeu o processo principal contra Paola Stefany Neto Cirino até a conclusão de uma perícia psiquiátrica. A diarista é acusada de matar Cláudio Atala Inácio e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, encontrados mortos em um apartamento no bairro São Pedro, na região Centro-Sul de Belo Horizonte.
O Incidente de Insanidade Mental foi instaurado em 18 de agosto, a partir de um pedido da defesa. O exame será realizado nesta segunda-feira (14) e deverá avaliar se Paola tinha condições de entender que os atos atribuídos a ela eram ilegais e de agir conforme esse entendimento.
A perícia não representa, por si só, o reconhecimento de transtorno mental nem torna a acusada inimputável. A decisão dependerá do trabalho dos peritos e do laudo, que será encaminhado ao processo. Enquanto o documento não é apresentado, diligências consideradas urgentes podem continuar.
Acusações do Ministério Público
Paola está presa desde o início de julho. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou a diarista por dois latrocínios — roubo com resultado morte —, além de fraude processual e furto qualificado. A Justiça recebeu a denúncia em 31 de julho.
O casal, de 75 e 76 anos, foi encontrado morto no imóvel em 30 de junho. Conforme a denúncia do MPMG, o crime teria ocorrido no dia anterior. Paola havia sido contratada para fazer serviços de limpeza e, segundo as investigações, era a primeira vez que entrava na residência.
A acusação afirma que ela teria colocado medicamentos sedativos na bebida das vítimas antes de retirar objetos do apartamento. Ainda conforme o Ministério Público, uma das vítimas despertou durante a ação, e Paola teria atacado o casal com uma arma branca.
Laudos mencionados pela Justiça indicam que Maria Clotilde tinha 15 lesões causadas por instrumento perfurocortante e queimaduras. Cláudio sofreu 43 lesões por arma branca, incluindo perfurações no coração. Exames toxicológicos identificaram clonazepam e alprazolam nas vítimas.
Investigação
A investigação aponta que a acusada teria tentado modificar o local para dificultar a perícia. Foram encontrados panos de chão encharcados com água sanitária e desinfetantes. Imagens de segurança registraram Paola entrando no prédio às 7h28 e saindo às 15h32, com sacolas e roupas diferentes.
Ela foi presa pela Polícia Civil em 2 de julho, em um hotel em Itabira, na região Central de Minas Gerais. Com a suspeita, foram apreendidos R$ 18,8 mil, celulares, joias, bolsas, perfumes, roupas, uma faca e 165 comprimidos de medicamento sedativo. O MPMG também denunciou Leonardo do Nascimento por suposta participação no uso dos cartões das vítimas.







