O projeto econômico associado a Jair Bolsonaro e Paulo Guedes combinou austeridade fiscal, privatizações e redução de direitos, sem entregar o crescimento prometido. Entre 2019 e 2022, o PIB brasileiro avançou, em média, 1,4% ao ano, enquanto a economia mundial cresceu 2,7% e os países em desenvolvimento, 3,3%, segundo o FMI.
A proposta original para a reforma da Previdência previa trocar o regime público de repartição pela capitalização individual. Nesse modelo, cada trabalhador dependeria da própria capacidade de poupança e dos rendimentos do mercado financeiro. O Congresso rejeitou essa mudança e manteve o sistema público, mas aprovou aumento de idades e tempos de contribuição, além da redução de benefícios.
Paulo Guedes também propôs alterar o artigo 6º da Constituição para subordinar direitos como saúde, educação, alimentação, moradia e previdência ao chamado equilíbrio fiscal intergeracional. Durante a pandemia, o ministro defendeu um auxílio de R$ 200 para trabalhadores informais. O Congresso elevou o valor para R$ 600, e o benefício alcançou quase 68 milhões de pessoas.
Pandemia, pobreza e combustíveis
O auxílio foi reduzido e suspenso no fim de 2020, apesar da aproximação de uma segunda onda da Covid-19. Em março de 2021, o país registrava cerca de três mil mortes por dia e milhões de brasileiros estavam sem benefício. O pagamento voltou em abril, com valor médio menor e alcance mais restrito.
Naquele ano, mais de 420 mil pessoas morreram de Covid-19. A pobreza atingiu 62,5 milhões de brasileiros, equivalentes a 29,4% da população, enquanto o rendimento médio real per capita chegou ao menor nível da série iniciada pelo IBGE em 2012.
A política econômica também reduziu a atuação do BNDES e levou à venda de ativos da Petrobras, como a BR Distribuidora, refinarias, gasodutos e campos de petróleo. A manutenção da paridade internacional dos combustíveis contribuiu para uma inflação de 10% em 2021. No período, a gasolina subiu 47,5%, o diesel, 46%, e o gás de cozinha, 37%.
Em setembro de 2022, Guedes afirmou que o governo não podia vender uma praia a um grupo estrangeiro disposto, segundo ele, a pagar US$ 1 bilhão. A declaração resume a visão de patrimônio público como conjunto de ativos disponível para compradores. A experiência, apresentada como exemplo de um projeto já testado, é descrita como marcada pelo enfraquecimento da proteção social, pelo aumento da desigualdade e pela transferência de patrimônio público para a iniciativa privada.







