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Como atua a rede estrangeira ligada a Donald Trump em favor de Flávio Bolsonaro na eleição brasileira
Foto: Divulgação Flávio Bolsonaro/Reprodução rede X
Brasil

Rede internacional impulsiona Flávio Bolsonaro em posts ligados à Polymarket

Visegrád24 e UHN Plus divulgaram conteúdos pagos sobre as chances do senador, em uma rede com conexões nos EUA, na Espanha e na Argentina.

Uma rede internacional ligada a Donald Trump passou a promover Flávio Bolsonaro em publicações pagas relacionadas às cotações da plataforma Polymarket. Entre os envolvidos estão o perfil Visegrád24, a empresa de mídia UHN Plus, o empresário espanhol Javier Negre e o marqueteiro argentino Fernando Cerimedo.

O Visegrád24 publicou no X, em 20 de setembro, uma mensagem para mais de 1 milhão de seguidores afirmando que as chances de Flávio vencer a eleição estavam subindo. O post trazia uma imagem do senador ao lado do presidente argentino Javier Milei e exibia a indicação de parceria paga, posteriormente removida.

A publicação ocorreu no mesmo dia em que a Polymarket informou que Flávio havia chegado a 58% em seu mercado de previsão. Em 30 de abril, o perfil já havia divulgado outro conteúdo pago, segundo o qual o senador aparecia à frente de Lula, com 43% contra 38%.

Antes dos anúncios, o Visegrád24 entrevistou Flávio em fevereiro. Na conversa, o senador afirmou que o Brasil tinha “um presidente que apoia terroristas”. Em 27 de janeiro, o perfil também havia publicado trechos de um discurso dele em uma conferência em Jerusalém.

Como a rede se conecta

A Polymarket é uma plataforma de mercados de previsão. Os usuários negociam contratos relacionados a possíveis resultados de eleições, esportes e outros eventos. Os percentuais exibidos não correspondem a uma pesquisa eleitoral: representam o preço alcançado pelos contratos negociados.

O acesso à plataforma foi bloqueado no Brasil em abril, porque a empresa não tem autorização para operar no país. Desde junho de 2025, porém, a Polymarket é parceira oficial do X na área de mercados de previsão.

Em agosto de 2025, a empresa recebeu investimento do fundo 1789 Capital, do qual Donald Trump Jr. é sócio. Ele também passou a integrar o conselho consultivo da Polymarket.

O Visegrád24 é mantido pela Intermarium Foundation, entidade americana sem fins lucrativos. A fundação recebeu US$ 175 mil da DonorsTrust com a finalidade registrada de apoiar o perfil. O documento não demonstra que esse valor tenha financiado publicações sobre Flávio.

Javier Negre aparece em outras pontas da estrutura. Ele é vice-presidente da UHN Plus Media Network, registrada na Flórida em novembro de 2025, e proprietário do La Derecha Diario. A UHN se apresenta no X como uma empresa impulsionada pela Polymarket e publicou conteúdos pagos relacionando Flávio às cotações da plataforma.

Em 14 de abril, uma publicação da UHN afirmou que Flávio havia ultrapassado Lula no mercado. A empresa também divulgou outros posts sobre o senador, chegando a mencionar um pico de 60,5% em 21 de setembro.

Negre também participou da criação da edição em espanhol do Visegrád24, em parceria com a EDATV e o La Derecha Diario. Os próprios envolvidos apresentaram as empresas como integrantes de uma aliança de mídia, embora os documentos não comprovem sociedade ou caixa comum com a conta principal do Visegrád24.

A conexão com Fernando Cerimedo

Fernando Cerimedo foi sócio de Negre no La Derecha Diario e recebeu, em fevereiro, o prêmio de consultor político do ano durante uma gala realizada em Mar-a-Lago. A premiação foi apresentada por Eduardo Bolsonaro, que afirmou que eles venceriam as eleições de outubro com Flávio.

Cerimedo também agradeceu a Brad Parscale, ex-chefe da campanha de Donald Trump e criador da plataforma Campaign Nucleus. Em março de 2025, o argentino anunciou que representaria na América Latina as tecnologias da Campaign Nucleus e da EyesOver.

Registros oficiais americanos mostram que a Campaign Nucleus LLC, a EyesOver LLC e a Clock Tower X LLC aparecem associadas ao mesmo endereço em Medina, Ohio. Cerimedo nega qualquer vínculo com a campanha de Flávio e afirma que sua relação com a UHN Plus, o Visegrád24 e a Polymarket é responsabilidade exclusiva de Javier Negre.

O marqueteiro argentino foi detido na Bolívia em 18 de agosto e teve a prisão preventiva decretada. O Ministério Público boliviano o acusa de ser o mandante de uma tentativa de feminicídio contra a ex-companheira, Nadia Beller. A defesa nega as acusações.

O que ainda não foi esclarecido

As conexões empresariais e os anúncios pagos estão documentados, mas não há comprovação de que mídia, tecnologia eleitoral e Polymarket façam parte de uma única operação coordenada para beneficiar Flávio. Também não foi localizado contrato entre essa rede e a candidatura.

Ainda não está esclarecido quem financiou especificamente os posts do Visegrád24, quem escolheu Flávio como tema, quem intermediou a entrevista de fevereiro ou se alguma estrutura estrangeira mantém relação com fornecedores da campanha brasileira.

A legislação eleitoral brasileira permite propaganda paga na internet apenas nas hipóteses previstas em lei. As regras do TSE vigentes em 2026 também proíbem oferecer vantagem econômica para que pessoas ou empresas façam publicações político-eleitorais em seus próprios canais.

O X informou ao TSE que manteria proibidos no Brasil os anúncios políticos e de campanha. A campanha de Flávio disse não ter conhecimento dos anúncios e negou relação formal com Cerimedo. A Polymarket, o X, a UHN Plus, Javier Negre e a Campaign Nucleus não apresentaram esclarecimentos sobre quem financiou as publicações ou se houve participação de intermediários.

Texto produzido pela Redação Cena Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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