RIO DE JANEIRO — Thiago Soares voltou a morar no Brasil depois de construir uma carreira nos principais palcos internacionais. Aos 45 anos, o bailarino mantém a atuação em cena, mas passou a dividir a rotina com funções de criação, direção e liderança da companhia que leva seu nome.
É nesse formato que ele apresenta Carmem, em cartaz de 16 a 19 de setembro, no Teatro Multiplan, no Rio de Janeiro. A montagem aborda desejo, ciúme, liberdade e a ideia de posse nas relações. Para Thiago, revisitar a história também trouxe uma reflexão sobre a própria forma de enxergar esses temas.
“Como não olhar para si?”, questiona o artista, que foi o primeiro brasileiro a receber a medalha de ouro no Concurso Internacional do Ballet Bolshoi, na Rússia, e também atuou como primeiro bailarino do Royal Ballet de Londres. Ele vê na permanência de Carmem uma das razões para a obra continuar despertando interesse: embora antiga, ela ainda provoca discussões e permanece atual.
Da interpretação à direção
A mudança de função alterou a relação de Thiago com o controle. Se antes a principal tarefa era entrar no palco e realizar a performance, agora ele também precisa conduzir processos, orientar artistas e ajudar a construir a identidade da companhia.
“Ser diretor é você ser o facilitador para que outros brilhem”, afirma. Segundo o bailarino, o controle continua presente no trabalho diário, mas passou a estar ligado à formação de novos artistas, ao desenvolvimento técnico e à criação das obras que pretende levar ao palco.
Como intérprete, porém, ele diz estar menos preocupado em competir, se comparar ou provar seu valor. A experiência acumulada, na visão dele, permite viver os personagens, dialogar com o público atual e conduzir os espectadores pela narrativa.
Essa experiência também será importante na parceria com Sasha De Sola, principal do San Francisco Ballet. A bailarina fará sua estreia nos palcos brasileiros em Carmem e chegará ao país apenas dois dias antes da participação. Thiago acredita que a conexão entre os dois poderá surgir rapidamente, a partir da troca entre artistas experientes.
O retorno às raízes
Mesmo com a carreira internacional, o Rio de Janeiro continuou ligado à identidade do bailarino. Thiago nasceu em São Gonçalo e cresceu em Vila Isabel. Ao decidir voltar, buscou viver a cidade de maneira diferente da época em que iniciou sua trajetória.
“Finalmente morar perto da praia” faz parte desse novo momento, descrito por ele como uma oportunidade de respirar o Rio com mais calma e sob outra perspectiva. O retorno ao país também está relacionado ao desejo de transformar a experiência adquirida fora em caminhos para outros artistas.
Thiago quer que seu trabalho estimule pessoas a acreditar na própria jornada e na possibilidade de realizar sonhos. A companhia, nesse sentido, surge como espaço para fomentar artistas e mostrar que o improvável pode se tornar possível.







