A relação entre Freddie Mercury e o Queen, além dos registros deixados pelo cantor em diários, estará no centro da participação de Lesley-Ann Jones na Bienal Internacional do Livro de São Paulo 2026. A escritora é autora de Com amor, Freddie: A vida e o amor secreto de Freddie Mercury, biografia baseada em anotações entregues por uma mulher identificada como B., que afirma ser filha do artista.
Lesley-Ann estará no evento em 10 de setembro. A participação marcará sua primeira visita ao país. Ela contou que não acompanhou os shows do Queen no Rock in Rio, em 1985, quando ainda era uma repórter novata e outros jornalistas foram escolhidos para cobrir a apresentação.
A autora também falou sobre a recepção da história no Brasil. B. morreu em janeiro deste ano, vítima de câncer, e, de acordo com Lesley-Ann, não chegou a acompanhar o impacto positivo que o livro teve no país. A escritora afirmou que gostaria de responder perguntas sobre Freddie, seus encontros com B. e o processo de produção da biografia.
O futuro do Queen sem Freddie
Para Lesley-Ann, é impossível afirmar com certeza quais seriam os próximos passos profissionais do cantor. A formação do Queen reunia Freddie, Brian May, Roger Taylor e John Deacon. A partir dos diários e dos relatos de B., porém, a autora avalia que a banda poderia ter continuado trabalhando em estúdio caso Freddie não tivesse contraído HIV e desenvolvido aids.
Freddie morreu aos 45 anos, em 1991. Segundo a biógrafa, ele se considerava velho para uma estrela do rock, estava cansado das apresentações e não gostava de fazer turnês. Essa característica, afirma ela, já havia sido registrada em sua primeira biografia sobre o cantor, Love of My Life (2021).
Lesley-Ann perguntou a B. se Freddie poderia ter deixado a estrada, saído do Queen e feito apresentações pontuais em grandes casas de ópera ou outros locais. B. discordou da hipótese porque, para Freddie, a banda era tudo.
A escritora descreveu a convivência entre os integrantes como uma relação criativa intensa, marcada por discussões e pela participação dos quatro na composição de sucessos. Na avaliação dela, essa dinâmica poderia ter levado o grupo a gravar mais álbuns enquanto Freddie ainda tivesse voz.
Rock in Rio, Live Aid e os últimos trabalhos
O Queen se apresentou no Rock in Rio nos dias 11 e 18 de janeiro de 1985. Durante os shows, Freddie cantou Love of My Life acompanhado pelo coro de 300 mil pessoas.
Lesley-Ann também relembrou a apresentação do grupo no Live Aid, em julho de 1985. Naquele período, Freddie havia gravado um álbum solo e os demais integrantes mantinham projetos próprios. A banda não participou de Do They Know It's Christmas?, lançada em dezembro de 1984, mas foi convidada para o Live Aid e teve uma das apresentações de maior sucesso do evento.
A repercussão da performance ajudou o Queen a decidir por uma nova turnê em 1986. Freddie já havia recebido o diagnóstico, e sua saúde estava debilitada. A turnê acabou interrompida, enquanto ele ainda trabalhava com a soprano espanhola Montserrat Caballé.
A biógrafa afirmou que o cantor exigia muito da própria voz e continuou se esforçando durante as gravações. Para ela, a trajetória final de Freddie foi marcada pelo trabalho intenso no estúdio e pelas dificuldades enfrentadas por ele e pelos integrantes do Queen.







