A família de Chadwick Boseman levantou dúvidas sobre o tratamento médico recebido pelo ator após uma autópsia apontar a presença de hidromorfona em seu organismo. O opioide, usado para tratar dores, foi descrito pelos irmãos Derrick e Kevin Boseman como uma concentração “extremamente preocupante”. A discussão faz parte de uma disputa sobre a administração do espólio do artista, morto em agosto de 2020, aos 43 anos, após enfrentar um câncer de cólon.
Taylor Simone Ledward, viúva de Chadwick, reagiu ao pedido dos irmãos para que ela deixe o comando dos bens. Em documentos, afirmou que não há motivo para seu afastamento e disse ter cumprido as obrigações assumidas na função. Ela classificou a iniciativa como uma “manobra de relações públicas” para prejudicar sua imagem.
Questionamentos sobre a morte
Em agosto de 2021, representantes de Derrick e Kevin voltaram a pedir acesso aos registros médicos do ator. Eles disseram que a solicitação estava ligada às circunstâncias em que Chadwick foi encontrado no quarto no dia da morte. Os familiares também defenderam a realização de uma autópsia, à qual Simone teria resistido inicialmente por considerar que o corpo do marido já havia sofrido o suficiente.
O documento afirma que o procedimento ocorreu em 1º de setembro de 2020. Na avaliação dos irmãos, o resultado trouxe dúvidas sobre o atendimento médico recebido por Chadwick. A família também procurava eventuais gravações com instruções sobre o patrimônio. Segundo a correspondência, eles acreditavam que o ator teria indicado a divisão igualitária, entre os pais e os dois irmãos, de 90% dos valores residuais recebidos por seus filmes.
Disputa pela administração
Derrick e Kevin pediram à Justiça a substituição de Simone pelo advogado Jason Rubin. A viúva se opôs à indicação e citou alegações graves envolvendo Rubin em outros processos. Ela declarou não saber se as acusações são verdadeiras, mas defendeu que fossem analisadas antes de uma eventual nomeação.
Simone também mencionou repasses feitos aos pais do ator, Carolyn e Leroy Boseman. De acordo com ela, destinou cerca de US$ 300 mil, aproximadamente R$ 1,6 milhão, aos filhos de Derrick, sobrinhos de Chadwick. A viúva afirmou que tomou a decisão porque sabia que o marido queria que a família fosse amparada após sua morte.
Troca de cartas
Os atritos começaram poucas semanas depois da morte de Chadwick. Em 16 de novembro de 2020, advogados dos pais e dos irmãos solicitaram acesso aos prontuários e cópias digitais de celulares, computadores, iPads e outros aparelhos do ator. Eles também pediram documentos bancários e disseram que queriam cumprir a intenção de Chadwick sobre a distribuição dos bens.
Em 1º de dezembro de 2020, o advogado de Simone criticou o tom da correspondência e afirmou que ela vinha tentando compartilhar informações com os familiares e incluí-los em projetos voltados à preservação do legado do ator. Em setembro de 2021, a defesa voltou a questionar o momento escolhido pela família para enviar novas solicitações, poucos dias antes do aniversário de um ano da morte de Chadwick.







