Filipe Bragança contou como se preparou para interpretar Amyr Klink em 100 Dias, filme inspirado na travessia do Atlântico Sul realizada pelo navegador somente a remo. O longa tem estreia marcada para 29 de outubro e chega no ano em que Amyr completa 71 anos.
A produção acompanha boa parte da jornada com foco no ator, no barco e no mar. Filipe afirmou que 80% do filme, talvez 90%, é formado por cenas com ele e a embarcação. Para sustentar a narrativa, ele recorreu à imaginação durante as gravações, especialmente nas situações que envolviam peixes, baleias e eventos climáticos enfrentados por Amyr.
Preparação física e contato com Amyr
O ator também leu Cem Dias Entre Céu e Mar, livro escrito pelo navegador em 2023. A obra ajudou Filipe a compreender o personagem por meio das reflexões e do silêncio presentes no relato da viagem.
A preparação incluiu uma mudança significativa no corpo. Filipe perdeu cerca de 11 a 12 kg para se aproximar do padrão físico dos homens da década de 1980. Ele contou que estava com aproximadamente 80 kg e chegou a 68 kg para as filmagens. Também aprendeu a remar, atividade que contribuiu para o processo de emagrecimento.
A solidão foi outro aspecto importante na construção do papel. O ator não ficou isolado por 100 dias, como Amyr durante a travessia, mas disse ter mergulhado mais na própria companhia ao longo da preparação. A personalidade mais reservada do navegador também serviu como ponto de aproximação entre os dois.
Filipe teve acesso a entrevistas, documentários e outros registros sobre Amyr. Além disso, conversou pessoalmente com o navegador, que respondeu às suas dúvidas e ensinou o uso do sextante e os cálculos feitos na carta náutica. “O ator tem que ser curioso”, afirmou Filipe ao falar sobre a experiência.
Sem sair completamente do universo do filme
Para o ator, Amyr não realizou a viagem por heroísmo, mas por planejamento. Filipe disse se identificar com essa característica, por se considerar pragmático e alguém que calcula bastante antes de agir. Ele também citou uma entrevista de Tamara Klink, filha do navegador, sobre a necessidade de não ser ruim em nenhuma área durante uma navegação.
A intensidade das gravações fez com que Filipe demorasse a se afastar completamente do personagem. Mesmo depois de deixar o papel, ele continuou conectado à atmosfera da produção. “Acho que eu saía do personagem, mas não saía daquele universo”, revelou.
O filme marca, para o ator, uma experiência de autoconhecimento associada à trajetória de Amyr Klink e à rotina de interpretar praticamente sozinho uma história passada em alto-mar.







