SÃO PAULO — Kéfera voltou à ficção com Vestida de Medo, seu primeiro livro de fantasia sombria. A história acompanha Seraphine Wanderville, uma caçadora de bruxas que encontra Elyra, a centésima mulher que deveria matar, e passa a questionar as certezas que guiavam sua trajetória.
O lançamento aconteceu durante a Bienal Internacional do Livro de São Paulo 2026, onde a autora também comentou sua evolução na literatura e o desejo de desenvolver narrativas mais adultas, com personagens difíceis de definir entre o bem e o mal.
Uma nova fase na escrita
Antes de publicar o novo romance, Kéfera lançou as autobiografias Muito Mais que 5inco Minutos, em 2015, e Tá Gravando. E Agora?, em 2016. Seu primeiro livro de ficção foi Querido Dane-se, de 2017.
A autora explicou que decidiu voltar ao gênero para se desafiar em uma proposta diferente dos trabalhos anteriores. A obra reúne vingança, amor proibido, bruxas, mistério, medo e personagens femininas fortes, dentro de um universo criado do zero e com regras próprias.
Kéfera afirmou que seu processo de escrita mudou com o tempo. Hoje, ela diz ter mais repertório, experiências e paciência para lidar com o desenvolvimento de uma história. Em Vestida de Medo, também buscou construir personagens com contradições, plantar pistas e fazer com que as escolhas tivessem consequências.
O livro começou a ser escrito em 2024. Para manter a continuidade da trama, a autora precisou reler o material várias vezes e definir as regras daquele mundo, as crenças de seus habitantes e a origem do medo das bruxas. Entre os desafios esteve equilibrar a construção do universo, o ritmo, o romance e o mistério sem antecipar as respostas.
Romance entre duas mulheres
A relação entre Seraphine e Elyra ocupa um papel central na história. Para Kéfera, o romance não precisa ser separado do gênero principal da obra. As personagens se apaixonam dentro de uma narrativa de fantasia, com desejo, tensão, conflito, medo e amor.
A autora também disse buscar, nas livrarias, romances sáficos que não tratem a sexualidade das personagens como um problema, mas como uma característica entre tantas outras. Ela relacionou esse aspecto da protagonista ao próprio processo de questionar verdades que pareciam absolutas em diferentes momentos da vida.
Além da escrita, Kéfera contou que mantém uma rotina de leitura noturna. Ela descreveu o hábito de deixar o celular de lado e entrar na história, prolongando a leitura mesmo quando isso significa reduzir algumas horas de sono.
Ideias para os próximos livros
O lançamento reacendeu o interesse da autora pela ficção. Kéfera afirmou que pretende continuar explorando histórias sombrias e adultas, com personagens que não sejam facilmente classificados como bons ou ruins.
Ela também revelou que já desenvolve outras ideias. Uma delas seguirá por um caminho diferente da fantasia, mas ainda terá suspense, moralidade e a sensação de torcer por alguém mesmo quando isso parece não ser o certo.
Kéfera é autora da Galera Record e participa da Bienal do Livro SP nos dias 7 e 8 de setembro. A programação inclui três sessões de autógrafos e as mesas Kéfera se veste de medo e Romantasia brasileira. A autora também afirmou que continua focada na atuação e quer se desafiar com personagens diferentes.







