Badi Assad apresentou o show Transforma no Rock in Rio durante a edição de 2026, em uma participação que também marcou as comemorações de 35 anos de carreira. A artista construiu o espetáculo a partir de músicas escolhidas em um repertório de quase 30 discos, conectando diferentes fases de sua trajetória ao momento atual.
A relação de Badi com o festival começou antes de sua estreia no palco. Quando ainda estudava música, ela tinha pouco dinheiro e enfrentava duas horas de ônibus entre Campo Grande e a faculdade. Uma ex-cunhada comprou o ingresso, enquanto outra ajudou com o dinheiro da viagem. Sem recursos para comer, Badi contou com o apoio de pessoas que conheceu no local.
Entre as lembranças daquela primeira experiência está a frustração de não ter conseguido assistir ao show do Yes, porque precisava pegar o ônibus de volta para casa. Nina Hagen, porém, ficou marcada na memória da artista. Anos depois, ao descobrir que faria parte da programação, Badi passou a refletir sobre a relação entre Mariângela, seu nome de batismo, e Badi Assad, a identidade profissional. Ela compara a primeira ao CPF e a segunda ao CNPJ.
“CPF sempre!”, respondeu Badi ao ser questionada sobre qual das duas percebeu primeiro a importância de estar no Rock in Rio.
Um espetáculo em quatro etapas
Transforma foi organizado em quatro momentos: o mundo, o indivíduo, o humano e a vida. A apresentação aborda reflexões sobre a sociedade, mudanças pessoais, conexão com a natureza e energia feminina, antes de chegar à celebração.
O repertório reúne músicas de Luiz Gonzaga, Caetano Veloso, Lorde e Lenine, sem seguir um gênero específico. Para Badi, o critério é a emoção provocada por cada canção. No festival, o show ganhou uma sonoridade mais próxima do rock, mas também teve passagens intimistas. Em “Waves”, ela fica sozinha no palco e usa a voz para criar sons de animais e vento, em um tributo à natureza.
A ideia de transformação também está ligada a uma lesão que colocou em risco sua relação com o violão. No final do século passado, Badi desenvolveu uma síndrome na mão e ouviu dos médicos que não voltaria a tocar. Ela se reinventou, retomou o instrumento, passou a compor mais e abriu espaço para a cantora que já fazia parte de sua trajetória.
Um álbum para revisitar a trajetória
Em junho, Badi lançou 35 Anos Musicais, álbum com canções marcantes de sua carreira e faixas que ainda não havia gravado. O disco inclui “Linha de Passe”, de João Bosco, importante para o período em que começou a cantar, aos 18 ou 19 anos, e “Estrada do Sol”, de Tom Jobim, registrada por ela pela primeira vez aos quatro anos.
Sérgio Assad participa da nova versão de “Estrada do Sol”, criando uma ligação entre a criança que começava a cantar e a artista que chegou aos 35 anos de carreira. “Eu sei o que eu estava vivendo quando gravei aquela música”, contou Badi ao falar sobre o reencontro com diferentes versões de si mesma.







