Beabadoobee coloca a turbulência dos vinte e poucos anos no centro de Pylon, seu quarto álbum. Aos 26, Beatrice Laus transforma inseguranças, términos, solidão e mudanças em canções guiadas por guitarras distorcidas e uma atitude mais combativa.
O disco representa uma mudança em relação a This Is How Tomorrow Moves (2024), trabalho de clima mais relaxado e fantasioso produzido por Rick Rubin. Agora, Laus se aproxima do rock alternativo dos anos 90 e deixa a raiva conduzir faixas como “Sun Has Set”, “Radio”, “Switchblade” e “Write Me a Lettter”.
Entre a melodia e o ruído
“Sun Has Set” apresenta o tom do álbum com uma mensagem definitiva para uma antiga relação: “Fuck that, you can never run back to me now”. Em “Radio”, a dor vira música, enquanto “It’s Alright” mostra um lado mais romântico e aberto, apoiado por uma guitarra ao estilo de J. Mascis.
As referências passam por Sonic Youth, Helium e Dinosaur Jr., além de elementos do grunge, do emo do Meio-Oeste dos EUA, do punk de shopping e do universo da Lilith Fair. A cantora também mantém uma ligação com o pop: a primeira música que aprendeu a tocar no violão foi “Kiss Me”, do Sixpence None the Richer.
Laus começou a ganhar atenção aos 17 anos, quando “Coffee” viralizou. Depois, consolidou a carreira com músicas como “She Plays Bass” e “I Wish I Was Stephen Malkmus”, uma homenagem ao Pavement. Em Pylon, essa trajetória chega a uma fase de maior intensidade, sem abandonar a melodia.
Participações no novo momento
Hayley Williams, do Paramore, participa de “Nothing to Prove”, faixa em que a cantora provoca uma antiga paixão. Brendan Yates, do Turnstile, divide os vocais em “Powerlines”, sobre duas pessoas separadas pela distância.
O álbum ainda reúne contribuições de Chino Moreno, do Deftones; Evan Stephens Hall, do Pinegrove; Shane Moran, do Title Fight; Andrew Fisher, do Basement; além de Matty Healy e George Daniel, do The 1975.
Em vez de apresentar respostas, Beabadoobee registra os conflitos enquanto eles ainda estão acontecendo. O resultado é um disco que alterna amor, ódio, insegurança e solidão em meio ao crepitar das guitarras.







