SÃO PAULO — A organização do The Town anunciou Marilyn Manson como atração da edição de 2027. O cantor americano vai se apresentar no Palco Skyline em 4 de setembro, no Autódromo de Interlagos, na mesma noite em que o Slipknot será o destaque principal.
A confirmação ocorre enquanto Manson enfrenta processos movidos por mulheres que relatam abusos sexuais, físicos e psicológicos. O músico, cujo nome de registro é Brian Warner, nega as acusações e afirma que suas relações íntimas foram consensuais.
A contratação e a posição do festival
Zé Ricardo, vice-presidente artístico da Rock World, reconheceu a controvérsia envolvendo o artista e defendeu a decisão da empresa. “É um artista controverso, mas muito talentoso”, afirmou, acrescentando que Manson não foi condenado.
Roberto Medina, presidente da Rock World, disse que a presença do cantor amplia a força da programação de rock e metal do festival. A organização também afirma que não contrataria um artista condenado e que Manson não se enquadra nessa condição.
O músico não se apresenta no Brasil há mais de 10 anos. A última passagem pelo país aconteceu antes de as acusações se tornarem públicas, a partir de 2021.
Acusações feitas por mulheres
A repercussão internacional começou em fevereiro de 2021, quando Evan Rachel Wood publicou um relato sobre o relacionamento que manteve com Manson. A atriz, conhecida por Westworld (2016) e ex-noiva do cantor, descreveu episódios de violência física, sexual e psicológica, além de ameaças à sua vida.
Em 2022, no documentário Phoenix Rising, Wood afirmou que foi submetida a uma relação sexual sem consentimento durante a gravação do videoclipe de “Heart-Shaped Glasses”, em 2007. Segundo a atriz, a situação deveria ser apenas uma simulação. Manson negou essa acusação.
Esmé Bianco, atriz de Game of Thrones (2011), entrou com uma ação em 2021. Ela declarou ter sofrido estupro e outras formas de violência durante o relacionamento com o cantor. O caso foi encerrado em 2023 por meio de um acordo extrajudicial, sem julgamento.
Ashley Morgan Smithline também levou Manson à Justiça, com acusações de violência sexual. O processo terminou em 2023, depois que a modelo ficou sem representação jurídica. Mais tarde, ela retirou as acusações e declarou ter sido influenciada por Wood, que negou essa versão.
Uma mulher cuja identidade não foi divulgada afirmou, em uma ação apresentada em Nova York, que foi estuprada por Manson quando tinha dezesseis anos, na década de 1990.
Investigação e processos judiciais
Em 2022, Manson processou Evan Rachel Wood e a artista Illma Gore por difamação. Ele alegou que as duas organizaram uma campanha para estimular denúncias contra ele. Partes relevantes da ação foram rejeitadas pela Justiça.
O cantor desistiu do processo em novembro de 2024 e concordou em pagar cerca de US$ 327 mil em honorários advocatícios de Wood.
A Promotoria do Condado de Los Angeles conduziu uma investigação criminal por quase quatro anos. Em janeiro de 2025, o promotor Nathan Hochman informou que não apresentaria acusações. As denúncias de violência doméstica haviam prescrito, enquanto as provas sobre agressão sexual não eram suficientes para sustentar uma acusação além de dúvida razoável. Manson não foi julgado criminalmente.
Ação de Ashley Walters
Em janeiro de 2026, um tribunal da Califórnia autorizou a retomada do processo movido por Ashley Walters, ex-assistente pessoal do cantor. Ela o acusa de agressão sexual e outros abusos ocorridos entre 2010 e 2011, período em que trabalhou para Manson.
A ação havia sido barrada por prescrição. Uma alteração na legislação estadual, a AB 250, sancionada pelo governador Gavin Newsom em outubro de 2025, criou uma janela retroativa de dois anos para denúncias antigas de violência sexual. A defesa do músico contesta a retomada e afirma que o caso não atende aos critérios da nova lei.
O julgamento por júri está marcado para 15 de novembro de 2027, dois meses depois da apresentação no The Town. O advogado Howard King afirmou que Manson vai recorrer e disse estar confiante de que o caso não chegará a julgamento após a análise de uma nova moção.
Repercussão na carreira
As acusações também afetaram a agenda do cantor. Em outubro de 2025, uma apresentação da turnê One Assassination Under God, em Brighton, na Inglaterra, foi cancelada após uma campanha na internet e críticas de representantes políticos locais.
Manson lançou, em novembro de 2024, o álbum One Assassination Under God — Chapter 1, pela Nuclear Blast, seu primeiro disco em quatro anos. Em 14 de agosto de 2026, apresentou o segundo capítulo, One Assassination Under God — Chapter 2, com 10 faixas.
A turnê One Assassination Under God Tour começou em agosto de 2024, passou por 153 apresentações em nove etapas e terminou em novembro de 2026. A participação no The Town 2027 fará parte de uma nova rota mundial, ao lado do Slipknot.







