MC Hariel contestou as classificações que definem o funk paulista como “neoliberal” ou “alienado”. Em entrevista ao Podpah Records, o artista afirmou que a ausência do Estado, e não uma suposta escolha ideológica dos funkeiros, está no centro da discussão.
Nascido na zona norte de São Paulo, Hariel questionou a aplicação de categorias políticas a um público que, segundo ele, muitas vezes não teve acesso a escola, bibliotecas e outras oportunidades de formação. O MC citou conceitos como direita, esquerda e neoliberalismo para argumentar que parte dos jovens da periferia não teve contato com essas ideias.
“É muito fácil você não dar conhecimento para aquelas pessoas e querer julgar aquelas pessoas pelo sonho delas. O sonho da favela é vencer”, disse o artista.
Hariel também falou sobre a associação entre o desejo de conquistar bens e uma suposta adesão ao neoliberalismo. Para ele, querer comprar um carro, ter a própria casa e oferecer conforto à mãe não representa necessariamente uma posição política, mas uma busca comum por melhores condições de vida.
“Como que um moleque da periferia, que nunca teve acesso a livro, a estudo, vai saber o que é neoliberalismo? A gente só quer sair do buraco”, afirmou.
A entrevista foi realizada semanas depois do lançamento do álbum ao vivo gravado no Red Bull Symphonic. No projeto, MC Hariel se apresentou com uma orquestra completa em um teatro, transformando o espaço em um baile funk.







