MNEK, Tinashe e Adéla colocam o desejo de se tornar uma estrela pop no centro de seus novos trabalhos. Em vez de esconder a ambição, os artistas transformam a busca por reconhecimento em tema, discurso e parte da própria identidade musical.
MNEK voltou aos holofotes com Bulldozer, seu segundo álbum, lançado oito anos depois da estreia com Language. O cantor, compositor e produtor britânico contou que as críticas ao primeiro disco afetaram sua confiança. Aos 31 anos, ele afirma ter mudado a forma como encara o estrelato e defende que cada artista precisa saber o que está buscando.
A faixa “The Wall” resume essa nova postura ao falar sobre ocupar espaço sem pedir autorização. Em “Reverse”, MNEK leva a mesma ideia para as pistas de dança. Para ele, a confiança presente nas músicas também funciona como uma forma de se sentir pertencente a ambientes conservadores e de se destacar neles.
O artista ainda questiona os padrões usados para definir quem pode ser uma estrela pop. Na visão dele, o título não depende de um gênero musical específico nem de um modelo único de aparência ou comportamento. “Ser uma estrela pop tem que ser o que você quiser que seja”, disse MNEK.
Tinashe aborda a mesma discussão em Popstar, seu oitavo álbum de estúdio. A cantora persegue esse reconhecimento há mais de uma década, período em que lançou sucessos como “2 On” e “Nasty”, separados por 10 anos.
Na faixa-título, Tinashe pergunta se a chegada ao estrelato corresponde ao que alguém imaginava. Em “Too Easy”, responde aos céticos que não a consideram uma estrela pop. Já “Empty Stadiums” apresenta uma visão mais vulnerável, com a imagem de uma artista que canta há muito tempo e ainda espera por aplausos.
MNEK considera significativo que Tinashe tenha dado ao disco um título tão direto. Ele destaca a mistura de dance, R&B e música eletrônica na trajetória da cantora e afirma que a identidade de uma estrela pop pode atravessar diferentes gêneros.
Adéla também explora essa vontade em Prima, seu álbum de estreia. Aos 22 anos, a artista eslovaca apresenta músicas como “Nicole Kidman”, em que se define como princesa do pop, e “Ain’t In LA”, que a tornou a primeira artista eslovaca a entrar na Billboard Hot 100.
Em “KGB”, Adéla relaciona o desejo de alcançar o sucesso à necessidade de se proteger das críticas. Na faixa “Therapy”, ela abandona o glamour e fala sobre reuniões com pessoas que controlam decisões importantes para seu futuro. O disco, assim como os trabalhos de MNEK e Tinashe, mostra que a carreira pop envolve muito mais do que cantar: também exige defender um espaço, construir uma imagem e sustentar a própria ambição.
Para MNEK, essa segurança é parte do caminho. Ele cita ainda o trabalho com Zara Larsson, cujo quinto álbum, Midnight Sun, marcou uma nova fase na carreira da cantora. A música “The Ambition” explicita o desejo de chegar ao primeiro lugar e perseguir sonhos grandes.
Os três artistas tratam o estrelato pop como uma ação consciente, e não apenas como um rótulo oferecido pela indústria. Nas canções, querer muito aparece como o primeiro passo para transformar esse sonho em realidade.







