A ligação de Péricles com a soul music ganhou forma no Rock in Rio 2026, em uma apresentação dedicada ao catálogo da Motown. O cantor transitou por soul, R&B e funk americano sem abandonar a própria identidade vocal, aproximando esse repertório do pagode romântico.
Nos meses anteriores ao festival, Péricles definiu a Motown como “revolução” e afirmou que sua maneira de cantar carrega a escola da gravadora. O selo lançou artistas como Stevie Wonder, The Temptations, Smokey Robinson, Jackson 5 e Marvin Gaye.
A estrutura do show reuniu uma banda com mais de 10 integrantes, incluindo quatro cantores de apoio — três mulheres e um homem —, além de metais, baixo, bateria e percussão. A seleção foi composta por sucessos e manteve uma sequência sem momentos de ritmo mais lento.
Voz e repertório
Péricles respeitou as gravações originais sempre que possível. Quando precisou adaptar as músicas à própria voz, fez mudanças coerentes, como no ajuste de tom de “I’ll Be There”, do Jackson 5.
Entre os momentos destacados estão a delicadeza na interpretação de “My Girl”, dos Temptations, e o uso dos graves em “I Heard It Through The Grapevine”, na versão de Michael McDonald. “Super Freak”, de Rick James, também apareceu no repertório. A música é frequentemente menos associada à Motown por ter sido lançada pela subsidiária Gordy.
O setlist ainda incluiu “End of the Road”, do Boyz II Men, apontado por Péricles como “a maior banda de R&B”. A faixa foi uma das representantes posteriores à década de 1980 no show.
A apresentação teve 15 músicas: “Ain’t no Mountain High Enough”, “I Want You Back”, “How Sweet It Is (To Be Loved By You)”, “My Girl”, “Cruisin’”, “I Heard It Through The Grapevine”, “I’ll Be There”, “End of the Road”, “Let’s Get It On”, “For Once In My Life”, “Super Freak”, “Signed, Sealed, Delivered (I’m Yours)”, “All Night Long”, “ABC” e “Superstitious”.







