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Queen e Sex Pistols marcaram lados opostos do rock em 1976
Foto: Keystone Features/Getty Images e Evening Standard/Getty Images
Música

Queen e Sex Pistols marcaram lados opostos do rock em 1976

Shows do Queen no Hyde Park e dos Sex Pistols no 100 Club revelaram, em Londres, a tensão entre o rock de arena e o punk.

Em setembro de 1976, dois shows realizados com apenas dois dias de diferença expuseram a mudança de rumo do rock britânico. De um lado, o Queen reuniu cerca de 150 mil pessoas em um concerto gratuito no Hyde Park. Do outro, o 100 Club Punk Special recebeu 600 fãs para ver The Damned, Buzzcocks, The Clash, Sex Pistols e uma formação inicial de Siouxsie and the Banshees.

A imprensa musical britânica tratou os dois eventos como sinais de uma nova era. Para Harry Doherty, da Melody Maker, o espetáculo do Queen indicava que os anos 1970 finalmente haviam chegado. Caroline Coon, também da Melody Maker, descreveu a fila do 100 Club como uma prova de que uma nova década do rock estava prestes a começar.

O espetáculo do Queen

A popularidade do Queen havia crescido rapidamente nos cinco anos anteriores, impulsionada por músicas como “Seven Seas of Rhye”, “Killer Queen”, “Now I’m Here”, “You’re My Best Friend” e “Bohemian Rhapsody”. A última liderou a parada britânica de singles durante nove semanas e ajudou o álbum A Night at the Opera a conquistar discos de platina ao redor do mundo.

O show no Hyde Park foi planejado como o maior concerto gratuito no local desde a apresentação dos Rolling Stones, em 1969. A banda ainda não tinha um tecladista e precisava reproduzir ao vivo os arranjos elaborados de A Night at the Opera. Para isso, contou com a pirotecnia, o gelo seco, o virtuosismo de Brian May, o carisma de Freddie Mercury e as trocas de figurino do vocalista.

O Queen terminou o set com “In the Lap of the Gods… Revisited” e planejava voltar para um bis com “Now I’m Here”, “Big Spender”, “Jailhouse Rock” e “God Save the Queen”. As autoridades, porém, impediram o retorno ao palco por causa da quantidade de pessoas no parque durante a noite.

Houve prisões e pessoas feridas depois que objetos foram lançados em meio ao público. Freddie Mercury pediu que a plateia parasse de arremessar latas e outros itens. Uma das explicações para os objetos voando era a baixa altura do palco, que dificultava a visão de parte dos fãs.

A noite do punk

No 100 Club, a escala era muito menor, mas a programação reunia nomes que se tornariam centrais para o punk britânico. The Clash havia acabado de se separar do guitarrista Keith Levene e abriu seu set com “White Riot”. O grupo também apresentou uma versão inicial de “I’m So Bored With You”, que já começava a incorporar o grito “USA”.

Siouxsie and the Banshees ainda não tinha uma formação estável nem muito material próprio. Sid Vicious tocou bateria após apenas um ensaio, enquanto Steve “Two-tone” assumiu o baixo e Marco ficou na guitarra. A apresentação foi descrita como uma improvisação selvagem, marcada pela inexperiência dos músicos.

Os Sex Pistols encerraram a primeira noite com “Anarchy in the U.K.”, “Pretty Vacant”, “New York” e versões de “No Fun”, dos Stooges; “Substitute”, do The Who; e “I’m Not Your Stepping Stone”, de Tommy Boyce e Bobby Hart.

Pouco depois, durante um show do The Damned, Sid Vicious arremessou um copo que se estilhaçou e atingiu uma jovem em um dos olhos. O episódio levou o músico à prisão por um breve período.

O impacto daquele festival ultrapassou o público presente. Paul Weller, do The Jam, Shane MacGowan, do The Pogues, Chrissie Hynde, do Pretenders, Colin Newman, do Wire, além de Kevin Haskins e David J, do Bauhaus, estavam entre as pessoas que assistiram ao show dos Sex Pistols.

Dois caminhos para o rock

O Queen representava a grandiosidade do rock de arena, enquanto o 100 Club apresentava bandas jovens, estruturas simples e uma atitude mais acessível para quem queria formar seu próprio grupo. A diferença entre os eventos ajudou a mostrar por que o punk teria efeito tão amplo nos anos seguintes.

Antes do fim dos Sex Pistols, no início de 1978, a banda lançou Never Mind the Bollocks, Here’s the Sex Pistols e inspirou grupos na Inglaterra e em outros países. Dois meses antes do festival em Londres, uma apresentação dos Pistols no Lesser Free Trade Hall, em Manchester, também havia reunido futuros integrantes de The Smiths, The Fall, Magazine, Simply Red, Buzzcocks e Joy Division/New Order.

Com a distância de 50 anos, o show do Hyde Park continua sendo lembrado pela dimensão e pela força do Queen. Mas a transformação que abriu espaço para uma nova geração estava concentrada no 100 Club. Era mais fácil imaginar alguém escrevendo “White Riot”, “Orgasm Addict” ou “Anarchy in the U.K.” depois daquela noite — e tentando criar uma banda própria a partir disso.

Texto produzido pela Redação Cena Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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