A história de Rick, da dupla Rick & Renner, começou na zona rural de Monte do Carmo, no Tocantins, onde o cantor viveu os primeiros dez anos de vida. Em entrevista ao quadro Bem Sertanejo, do Fantástico, ele relembrou a influência do pai, da irmã e das manifestações culturais do estado na construção de sua carreira musical.
A conversa ganhou novo significado depois que a morte do artista foi confirmada nesta terça, 22. Rick morreu em decorrência da queda de um helicóptero em Santa Catarina.
Nascido na própria roça, com a ajuda de uma parteira, o cantor contou que teve contato com diferentes referências musicais ainda na infância. O pai o aproximou de tradições do Tocantins, enquanto o rádio da mãe apresentava canções sertanejas de Goiás, São Paulo e de outras regiões do país.
Entre as manifestações que marcaram sua formação estava a sussa, ritmo tradicional tocantinense presente em celebrações como as Folias de Reis e do Divino. Nas festas da família, Rick tocava violão e cantava com o pai, enquanto os parentes dançavam no terreiro de casa.
Essa herança regional também apareceu no trabalho profissional. Rick disse que incluiu elementos da sussa no arranjo de “Fica Muita Cedo”, um dos sucessos de Rick & Renner. “Eu consegui trazer algumas coisas da música para cá”, afirmou durante a entrevista.
Da parceria com a irmã à dupla Rick & Renner
Aos 10 anos, Rick formou com a irmã a dupla Sereno & Serenata. A parceria continuou depois que a família se mudou para Brasília, onde os dois passaram a trabalhar profissionalmente à noite. A dupla acabou interrompida por decisão do pai, que não queria que a filha continuasse naquele ambiente.
Rick precisou procurar outro parceiro para seguir na música. Anos depois, esse caminho levaria à formação de Rick & Renner e à consolidação de sua carreira na música sertaneja.
Mesmo após deixar o Tocantins, o cantor continuou relacionando sua identidade artística às experiências da infância e à convivência com o pai. Ele contou que compunha, mas não registrava as letras no papel, guardando músicas e melodias na memória. Também disse que o pai, aos 82 anos, ainda se lembrava de canções criadas na juventude.
“Essa musicalidade do Tocantins também tem a ver com a música sertaneja, com a música caipira de verdade, que era o que eu cantava com meu pai”, explicou.







