Sean Ono Lennon percebeu apenas durante a montagem que threeASFOUR: Full Circle era mais do que um registro sobre moda. O documentário de 94 minutos acompanha Gabi Asfour, Angela Donhauser e Adi Gil, responsáveis pela grife threeASFOUR, e transforma a trajetória do trio em uma reflexão sobre arte, convivência e diferenças culturais.
As origens dos estilistas — libanesa-palestina, tajique-alemã e israelense, respectivamente — ganharam um peso central para o diretor. Para ele, a história dos amigos representa a união de pessoas com experiências distintas que encontraram uma família artística em Nova York. “A arte, a beleza e o amor superam as diferenças tribais”, afirmou Ono Lennon.
Entre criação e sobrevivência
O filme mostra o grupo desenvolvendo peças acolchoadas e roupas com detalhes de tubulação espelhada, enquanto questiona os limites entre moda e arte. Também acompanha a tentativa de transformar a produção em um negócio viável, com a Semana de Moda de Nova York se aproximando e dívidas de dezenas de milhares de dólares com o proprietário do imóvel onde vivem.
A dificuldade de fazer o trabalho alcançar o público foi o que primeiro chamou a atenção de Ono Lennon. Ele conheceu os estilistas algumas décadas antes, em um grupo que também reunia Vincent Gallo e Natasha Lyonne. Por volta de 2012, decidiu que a trajetória deles poderia render um filme. As filmagens duraram cerca de cinco anos, e Brian Gonzalez dividiu a direção com ele.
Apesar de o foco aparente estar na indústria fashion, Ono Lennon descreve a obra como uma história sobre arte funcional. A threeASFOUR combina alta-costura e roupas do dia a dia há 25 anos. Björk, Chloë Sevigny e Meredith Monk já usaram criações da grife, que recebeu, em 2015, o National Design Award, concedido pelo Cooper Hewitt, museu de design do Smithsonian.
O documentário estreou em junho no Festival Internacional de Cinema de Tribeca, com Natasha Lyonne mediando um debate com os estilistas, os diretores e os produtores. A estreia no Film Forum, em Nova York, está marcada para 13 de novembro, antes da chegada a cinemas de outras regiões dos Estados Unidos.
Com o projeto concluído, o diretor passou a enxergar a produção como uma mensagem de paz e amor, ligada à capacidade de pessoas diferentes trabalharem juntas e permanecerem fiéis às próprias ambições artísticas.







