A passagem pelo Globo Repórter fez William Bonner recuperar uma relação diferente com o jornalismo. Em conversa com Fátima Bernardes no programa Cá Entre Nós, exibido nesta terça-feira (8), o apresentador contou que a experiência como repórter trouxe de volta uma sensação que havia mudado ao longo da carreira.
Questionado por Fátima sobre o retorno do “frio na barriga”, Bonner respondeu: “Totalmente, Fátima”. Ele explicou que o primeiro programa feito nessa função o levou a refletir sobre a perda do prazer em um trabalho de que gosta, embora a atividade já não fosse a mesma.
A saída do Jornal Nacional
A nova fase veio depois de uma trajetória de quatro décadas no telejornalismo diário. Bonner disse que precisou esperar cinco anos para formar sucessores antes de deixar o Jornal Nacional. O período, segundo ele, foi extremamente difícil, mas foi suportado porque continua gostando do que faz.
Durante a entrevista, o jornalista também descreveu o efeito da exposição acumulada sobre sua identidade pública. Na avaliação dele, os anos no telejornal fizeram com que o público passasse a enxergar uma figura ligada ao trabalho, diferente da pessoa que existe fora das câmeras. “Eu virei um avatar, eu não era mais uma pessoa”, afirmou.
Pressão e ataques
Bonner relatou ainda que a posição ocupada no Jornal Nacional o colocou no centro de críticas relacionadas ao jornalismo profissional brasileiro. Ele afirmou que ataques à imprensa acontecem mundialmente e que, por sua associação com o telejornal e com a Globo, acabou se tornando um alvo mais fácil.
O apresentador contou também que chegou a ser xingado por pessoas enquanto trabalhava na bancada. Mesmo com a pressão, destacou que permaneceu na função até a preparação de novos profissionais permitir sua saída.
No Globo Repórter, Bonner afirmou ter encontrado uma maneira de aproveitar melhor o tempo livre e de observar o jornalismo sob outra perspectiva.







