A sexsonia, também chamada de sonambulismo sexual, é uma parassonia em que a pessoa apresenta comportamentos sexuais enquanto dorme. Entre os episódios possíveis estão masturbação, gemidos, movimentos sexuais, toques no parceiro e até o início de uma relação sexual.
A condição está relacionada às parassonias do sono não-REM, grupo que também inclui o sonambulismo e o despertar confusional. Durante um episódio, a pessoa pode parecer acordada, manter os olhos abertos e realizar movimentos aparentemente intencionais, mas não está plenamente consciente nem necessariamente toma decisões de forma voluntária.
“Trata-se de um despertar parcial, em que a pessoa age sem ter consciência total, sem julgamento crítico adequado e sem se recordar no dia seguinte, apresentando comportamento de natureza sexual”, explica Lucio Huebra.
Possíveis causas e gatilhos
De acordo com os especialistas, existe uma predisposição individual para as parassonias do sono não-REM, possivelmente associada a fatores genéticos e ao desenvolvimento e à maturação cerebral. Muitas pessoas com sexsonia tiveram outros tipos de parassonia na infância e na adolescência.
A condição também pode estar relacionada a sonambulismo, apneia, privação de sono, estresse, álcool e alterações na rotina. Irregularidade nos horários de dormir, uso de estimulantes, consumo excessivo de cafeína, hormônios como a testosterona e até o contato físico com outra pessoa durante o sono podem funcionar como gatilhos.
A sexsonia não acontece necessariamente toda vez que a pessoa dorme. A frequência varia entre os indivíduos e também pode mudar ao longo do tempo. Embora possa afetar ambos os sexos, há mais descrições em indivíduos do sexo masculino, especialmente nos episódios com consequências mais graves.
Impactos e identificação
Entre os possíveis impactos estão constrangimento social, ansiedade relacionada ao sono e prejuízo na qualidade do descanso. Também podem ocorrer conflitos e situações de importunação ou danos a outras pessoas. A explicação médica não elimina o impacto de uma interação sexual sem consentimento, e o consentimento continua sendo fundamental.
“Em casos com contato sexual não consentido, especialmente quando existe dúvida sobre o diagnóstico, é importante buscar avaliação médica especializada e, se necessário, orientação jurídica”, alerta Huebra.
Como a pessoa geralmente não tem consciência do episódio e não se lembra dele depois, a suspeita costuma surgir por alguém que dorme na mesma cama. Alguns sinais são dificuldade para despertar, pouca resposta quando é chamada e comportamentos sexuais incomuns seguidos de amnésia sobre o ocorrido.
A investigação pode incluir entrevista direcionada, exame clínico e, em muitos casos, polissonografia com monitorização por vídeo. A sexonia é considerada rara e difícil de dimensionar. Casos menos complexos, com masturbação e vocalização, podem não levar à busca por atendimento e permanecer sem diagnóstico.
Tratamento e prevenção
O primeiro passo é evitar os gatilhos e adotar estratégias de higiene do sono. Os especialistas também recomendam tratar outros distúrbios e condições que provoquem fragmentação ou instabilidade do sono. Quando os episódios persistem, pode ser indicado tratamento medicamentoso.
Enquanto a situação não estiver controlada, medidas de segurança devem ser avaliadas. Dependendo da intensidade dos episódios, pode ser necessário dormir separado temporariamente da parceria ou adotar outras formas de prevenção. A busca por atendimento especializado é recomendada diante de qualquer suspeita.







