O Archaeopteryx, conhecido como a “primeira ave”, provavelmente conseguia sair do chão usando principalmente as pernas. Um estudo comparou a anatomia do fóssil com os movimentos de aves atuais e concluiu que o animal poderia decolar com uma sequência de saltos antes de manter o voo com as asas.
O fóssil foi encontrado em rochas jurássicas da Alemanha e remonta a 150 milhões de anos. Embora tivesse penas e asas, o Archaeopteryx ainda reunia características associadas aos dinossauros: cauda óssea longa, garras em dedos separados e dentes em uma mandíbula sem bico.
Como era a decolagem
As pesquisas partiram da observação de aves modernas. Filmagens analisadas por Colin Palmer indicaram que diferentes espécies exibiam um comportamento parecido antes de decolar: um salto com as duas patas. As asas pareciam ter participação limitada nesse primeiro impulso, o que levou os pesquisadores a investigar se um mecanismo semelhante poderia ter sido usado pelas aves mais primitivas.
Para medir a força gerada pelos membros posteriores, a equipe desenvolveu um método com uma placa de força — uma balança de cozinha modificada —, um computador Raspberry Pi e fotografias em alta velocidade. A análise também utilizou tomografias computadorizadas do esqueleto para observar a articulação dos ossos.
O grupo verificou que as pegas, aves da família dos corvos, usavam as pernas como principal fonte de força na decolagem. O estudo foi ampliado para outras espécies, como estorninhos e corvos, em colaboração com a bióloga evolutiva Pauline Provini, que havia pesquisado pombas e tentilhões.
O que o modelo indicou
Com os dados sobre forças e movimentos nas articulações dos membros posteriores, os pesquisadores adaptaram o modelo ao Archaeopteryx. O animal tinha músculos de voo relativamente fracos, não possuía esterno com quilha para uma fixação muscular forte e não conseguia levantar as asas acima da horizontal.
Por isso, ele não teria decolado de forma explosiva, com um único salto, como fazem aves modernas quando são assustadas. O modelo indica que o Archaeopteryx poderia levantar voo com dois saltos mais tranquilos usando as pernas. Também poderia realizar três saltos, ganhar velocidade e, já no ar, manter uma velocidade de voo de 7 metros por segundo com o movimento das asas.
Outra possibilidade seria combinar salto e batida de asas — salto-batida-salto — para chegar à mesma velocidade com apenas dois saltos.
A pesquisa começou em 2016, quando Palmer convidou Markus Heller, professor de biomecânica, e Neil J. Gostling para investigar como as primeiras aves teriam deixado o solo. O trabalho também contou com Erik Meilak e foi financiado pelo Conselho de Pesquisa do Meio Ambiente Natural, por meio da concessão NE/L002531/1.
O Archaeopteryx é considerado uma forma de transição entre aves e dinossauros. Charles Darwin havia previsto, na primeira edição de A Origem das Espécies, publicada em 1859, que seriam encontrados fósseis ligando grandes grupos de animais. Uma pena e, depois, um esqueleto completo de Archaeopteryx foram descobertos em menos de dois anos após a publicação do livro.
Até agora, ele continua sendo a ave mais antiga conhecida. Um fóssil ainda menos parecido com uma ave poderia mudar essa classificação no futuro, mas nenhum exemplo desse tipo foi encontrado.







