A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para conseguir ouvir o empresário Daniel Vorcaro em 25 de setembro. O depoimento integra três investigações sobre suspeitas de irregularidades em negócios envolvendo ações da Ambipar e títulos financeiros, como notas comerciais e CRIs.
A primeira oitiva estava marcada para 9 de setembro, mas não ocorreu. No pedido enviado ao Supremo, a CVM afirmou que o cancelamento aconteceu por problemas alheios à atuação do órgão e que as orientações do tribunal estavam sendo cumpridas.
Para evitar uma nova suspensão, a comissão solicitou autorização judicial urgente para entrar no presídio onde Vorcaro está preso com a estrutura necessária à realização da conversa. O pedido inclui a entrada de técnicos e advogados da CVM, além de computadores, outros equipamentos e acesso à internet.
A comissão também quer autorização para filmar e gravar todo o depoimento em áudio e imagem. Segundo a CVM, o registro oficial é fundamental para esclarecer os fatos e a falta de liberação da estrutura técnica pode fazer com que a oitiva seja cancelada novamente.
Investigação sobre imóveis e fundo imobiliário
Em uma das apurações, integrantes da CVM do Rio consideraram fraudulentos laudos usados por um grupo empresarial ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro. A suspeita é de que os documentos tenham sido utilizados para elevar o valor de imóveis, permitir a revenda por preços maiores e inflar o patrimônio dos envolvidos.
A acusação da comissão incluiu 19 nomes. Conforme o relatório, o grupo teria aumentado artificialmente os valores de imóveis e vendido cotas de um fundo imobiliário a investidores do mercado. A avaliação de uma construção passou de R$ 7 milhões para R$ 70 milhões com base em um laudo considerado fraudulento.
Por unanimidade, a CVM decidiu aplicar multas de cerca de R$ 200 milhões ao grupo. Daniel Vorcaro deverá pagar R$ 20 milhões. Já a multa de R$ 12,5 milhões aplicada ao Banco Master ficará condicionada ao processo de liquidação da empresa. As defesas dos demais acusados negaram participação em operações fraudulentas.







