A produtora GoUp Entertainment gastou mais de R$ 800 mil com hospedagem, segurança e itens de cabelo usados durante as gravações de Dark Horse, filme que retrata a história de Jair Bolsonaro (PL). Os documentos foram entregues à Polícia Federal, que investiga se a produção recebeu recursos do Banco Master.
O ator Jim Caviezel, que interpreta o ex-presidente, ficou hospedado no hotel Unique, na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, em São Paulo. Também foram acomodados no local os assessores Nathon Lewis e Richard Dobrich, além do segurança particular Keith Billiot. As notas fiscais apontam R$ 732 mil em diárias, pagos por meio de oito transferências.
A documentação inclui ainda um gasto de R$ 82 mil com a empresa VSG Serviços, responsável pela escolta de Caviezel. A produção registrou despesas de R$ 10 mil com a peruca usada pelo ator e de R$ 3 mil com apliques de cabelo da atriz que interpreta Michelle.
Valores sob investigação
Um dos comprovantes mostra uma transferência de R$ 298 mil para o hotel Unique, feita em 30 de dezembro de 2025, com a descrição “Hospedagem + gorjetas e massagens Jim”. Não foi localizada a nota fiscal correspondente. Os contratos dos atores estrangeiros não estão entre os documentos apresentados à PF.
A GoUp Entertainment recebeu ao menos US$ 12,3 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, valor equivalente a cerca de R$ 64 milhões. Os repasses passaram pela Entre Investimentos e foram destinados ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado nos Estados Unidos e controlado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.
Documentos indicam que os produtores projetavam arrecadação de US$ 45 milhões, ou R$ 230 milhões, no cenário mais pessimista. A estimativa é 91% superior à bilheteria de Minha Mãe é Uma Peça 3, de 2019, que arrecadou aproximadamente R$ 120 milhões. No cenário mais otimista, a receita prevista para Dark Horse era de R$ 358 milhões.
A GoUp também é alvo de duas investigações sobre possível uso de recursos públicos. Uma delas analisa um contrato de R$ 108 milhões entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), representado por Karina Gama, dona da produtora. A outra apura emendas parlamentares destinadas à entidade que teriam chegado à produtora.
Desde 10, os dois procedimentos tramitam com o ministro do STF Flávio Dino, que determinou 49 mandados de busca e apreensão. Na noite de 11, o ministro André Mendonça retirou o sigilo dos autos.







