A participação de Macklemore nas próximas apresentações de Ed Sheeran nos Estados Unidos foi cancelada depois que casas de shows avisaram à empresa promotora que não autorizariam os shows do rapper. A Messina Touring Group afirmou que a decisão poderia evitar o cancelamento da turnê e o impacto sobre centenas de milhares de fãs.
“Após discussões com as partes interessadas, Macklemore não se apresentará nas datas restantes da turnê de abertura”, declarou a empresa, responsável pela etapa estadunidense da Loop Tour.
Macklemore estava escalado para oito dos dez shows restantes de Sheeran no país. A turnê deve voltar nesta sexta, 19 de setembro, na Filadélfia. Entre os locais que teriam se oposto à presença do artista estão o Lincoln Financial Field, na Filadélfia; o Gillette Stadium, em Foxborough, Massachusetts; o Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, Geórgia; o Lucas Oil Stadium, em Indianápolis; o Bank of America Stadium, em Charlotte, Carolina do Norte; o AT&T Stadium, em Arlington, Texas; e o Raymond James Stadium, em Tampa, Flórida.
Nenhum dos estádios citados explicou publicamente a decisão. O caso pode levantar discussões sobre a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que protege a liberdade de expressão, especialmente porque a maior parte dos locais é administrada por cidades, estados ou outras entidades governamentais. O Bank of America Stadium e o Gillette Stadium são de propriedade privada.
Discursos em apoio aos palestinos
Macklemore entrou na Loop Tour no início deste mês e fez dois shows no estádio MetLife, nos arredores de Nova York, em 4 e 5 de setembro. Na primeira apresentação, ele gritou “Palestina Livre”, falou sobre Gaza e a Cisjordânia e exibiu imagens da devastação na região. Também cantou “Hind’s Hall”, música de protesto sobre manifestações pró-Palestina na Universidade Columbia.
No segundo show no MetLife, o rapper voltou a defender uma “Palestina Livre” e disse aos integrantes judeus da plateia que críticas a Israel, ao apartheid e ao genocídio não eram direcionadas a eles. Ele afirmou que sua mensagem era de paz, amor e tratamento digno, respeitoso e igualitário para todos.
As falas provocaram críticas de grupos pró-Israel. O StopAntisemitism acusou Macklemore de usar a apresentação para fazer propaganda anti-Israel. A publicação foi compartilhada pela cantora Pink, que depois afirmou não defender o silenciamento ou a demissão de outro artista e relatou ter se sentido assustada como mãe judia.
O Conselho Israelense-Americano também lançou uma petição para pedir que Sheeran retirasse Macklemore da turnê. A entidade questionou os limites do uso de uma plataforma de concerto global para promover uma agenda política unilateral.
Debate sobre os estádios
O Raymond James Stadium, em Tampa, será a última parada da etapa norte-americana da Loop Tour, em 7 de novembro. O local pertence ao Condado de Hillsborough, na Flórida, e é administrado pela Autoridade Esportiva de Tampa.
O estádio passou por uma situação parecida no início deste verão, quando dois shows de Kanye West foram marcados e receberam pedidos de cancelamento por causa de declarações antissemitas anteriores do rapper. As apresentações aconteceram. O contrato do artista incluía uma cláusula que impedia o cancelamento com base em declarações públicas ou opiniões anteriores, enquanto especialistas jurídicos avaliaram que uma decisão desse tipo poderia violar a Primeira Emenda.
Durante o restante da turnê, Ed Sheeran continuará recebendo Lukas Graham e Aaron Rowe nos shows de abertura. A etapa sul-americana da Loop Tour está prevista para acontecer entre novembro e dezembro.







