A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) classificou como uma crise institucional grave o afastamento cautelar do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. A medida foi determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira.
Em nota, a entidade afirmou que a saída temporária do diretor-geral, considerado a autoridade máxima da instituição, deveria ter sido decidida pelo Plenário do STF, e não individualmente. A associação também questionou o cumprimento dos ritos processuais.
A ADPF representa mais de 2.300 delegados. Segundo a entidade, a decisão menciona dispositivos do Código de Processo Penal e da Lei nº 15.047/2024 que pressuporiam a abertura de um inquérito, de uma ação penal ou de um processo administrativo disciplinar. A associação sustenta que nenhum desses procedimentos estava formalmente instaurado contra os dois afastados quando a determinação foi tomada.
Proposta para a Polícia Federal
A entidade defendeu a inclusão, na Constituição, de autonomia administrativa, financeira e funcional para a Polícia Federal, além de mandato fixo para o diretor-geral.
A proposta manteria com o presidente da República a escolha do diretor, mas a partir de uma lista tríplice formada por eleição entre os delegados da corporação. Para a ADPF, o modelo reduziria a influência de conjunturas políticas sobre o comando da instituição.
A associação também pediu que o Congresso retome a discussão da PEC 412/2009, que trata da autonomia da Polícia Federal.







