SÃO PAULO — A Polícia Civil de São Paulo não encontrou evidências de que um serial killer esteja agindo na capital. A afirmação foi feita nesta quarta-feira (7) por Ivalda Aleixo, diretora do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), que acompanha mortes com traços de execução na cidade.
Em vídeo publicado nas redes sociais, a delegada classificou como boato a hipótese de um assassino em série. Para ela, ocorrências distintas foram reunidas por causa de uma característica em comum: corpos encontrados dentro de sacos, cobertores ou outros tecidos.
“Não existe nenhuma evidência de que um serial killer está agindo em São Paulo”, disse Ivalda.
A diretora explicou que esse tipo de material pode ser usado para transportar e ocultar cadáveres, conter odores, evitar o vazamento de fluidos biológicos e dificultar a identificação e a localização das vítimas. Segundo ela, o acondicionamento, isoladamente, não representa a assinatura de um único criminoso.
Ivalda também pediu que a população não transforme os casos em uma série de terror. A delegada afirmou que a circulação de boatos provoca medo, confunde a população e atinge famílias que aguardam respostas sobre parentes desaparecidos.
Investigações individualizadas
Os casos ocorreram em diferentes regiões da capital: quatro na zona leste, três na zona sul, um na zona norte e outro na zona oeste. Até o momento, não havia registro desse tipo de ocorrência na área central.
Apesar de descartar a hipótese de serial killer, a polícia ainda investiga uma possível ligação entre algumas mortes e pessoas associadas ao chamado tribunal do crime do Primeiro Comando da Capital (PCC), descrito como uma espécie de justiça paralela da facção.
A Secretaria da Segurança Pública informou que ao menos oito ocorrências estão sob investigação. Cada caso tem um inquérito próprio instaurado pelo DHPP. Em pelo menos sete ocorrências, as vítimas já foram identificadas. Uma delas ainda não teve a identidade confirmada, e as diligências continuam para esclarecer quem era a vítima, além da autoria e da motivação do crime.
Entre as linhas de investigação estão hipóteses de vingança ou justiçamento em algumas ocorrências. A secretaria não apresentou uma conclusão sobre a existência de ligação entre os casos.
Casos que circularam nas redes
Entre as ocorrências que alimentaram as teorias está a localização de um homem morto dentro de um saco plástico no Jabaquara, na zona sul de São Paulo. O corpo foi encontrado por coletores de lixo próximo à calçada de uma casa, e a perícia foi acionada.
Na zona leste, dois corpos foram encontrados em um raio de oito quilômetros. Uma mulher não identificada, com marcas de tiros, estava em um saco na Vila Chuca. Perto dali, um homem também foi localizado dentro de um saco plástico, sem ferimentos aparentes.
Na zona norte, um corpo esquartejado foi encontrado dentro de um saco plástico no Jaçanã. Já na zona leste, um homem não identificado foi localizado em uma ciclovia próxima ao Centro de Treinamento do Corinthians, também dentro de um saco plástico. Os casos foram registrados e seguem em investigação pelas autoridades responsáveis.







