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‘Bets são uma doença permitida pelos governos Temer e Bolsonaro’, avalia cientista político
Brasil

Especialistas defendem restrições às bets e alertam para impacto eleitoral

Francisco Fonseca e Jorge Folena avaliam os efeitos das apostas esportivas sobre famílias, economia e campanha presidencial.

O cientista político Francisco Fonseca defendeu restrições graduais às bets e afirmou que o avanço das apostas esportivas está ligado ao endividamento das famílias e à redução do poder de consumo. Para ele, o tema precisa ser tratado com urgência, mas uma proibição imediata poderia provocar impactos drásticos.

Professor de Ciência Política na PUC-SP e na FGV-SP, Fonseca propõe que a primeira medida seja a interrupção da propaganda. Depois, segundo ele, o governo poderia adotar ações mais duras até chegar ao fechamento total desse tipo de jogo. O analista também citou a dependência de clubes de futebol em relação às casas de aposta e a preocupação com a arrecadação pública.

Fonseca classificou as bets como um jogo de azar associado à dependência e a prejuízos psicológicos e econômicos. A avaliação foi dada em entrevista.

Mulheres e decisão de Lula

O advogado e cientista político Jorge Folena considerou acertada a decisão de Lula de enfrentar o problema. Para ele, a medida alcança uma situação que tem causado prejuízos às famílias e à economia. Folena destacou ainda que as mulheres estão entre as pessoas mais afetadas, especialmente porque muitas famílias são chefiadas por elas.

O grupo feminino representa 53% do eleitorado. Fonseca acrescentou que 90% da titularidade do Bolsa Família está nas mãos de mulheres e avaliou que elas têm papel importante na definição das eleições. Na análise dele, esse segmento deseja que as bets sejam encerradas.

Folena afirmou que Lula assumiu um debate presente na sociedade e passou a definir a agenda política sobre o tema. Na avaliação do advogado, não seria coerente manter os jogos enquanto o governo desenvolve programas de renegociação de dívidas, como o Desenrola.

Eleitorado que não escolhe Lula ou Bolsonaro

Na reta final da campanha, Fonseca também defendeu uma comunicação voltada ao eleitorado que não se identifica nem com Lula nem com Bolsonaro. Para ele, é necessário explicar a esse grupo o que estaria em disputa e relacionar as bets ao cenário social vivido no país.

O cientista político recomendou ainda que Lula apresente uma mensagem direta sobre os riscos de uma vitória da direita. Fonseca mencionou a possibilidade de uma sequência de pedidos de impeachment, começando pelo Supremo Tribunal Federal, e citou a proximidade de Flávio Bolsonaro com Donald Trump.

Segundo Fonseca, haveria dois projetos em disputa: um ligado à democracia política e social e à soberania, e outro associado à redução da soberania, da democracia e dos projetos sociais. Ele comparou a proposta econômica da equipe de Flávio a uma combinação dos modelos de Javier Milei e de El Salvador.

O professor também defendeu o aumento do número de deputados federais para aproximadamente 220 e alertou para a possibilidade de o Senado ficar sob influência da extrema direita. Sobre o segundo turno, afirmou que há uma nova mobilização de campanha e podem surgir novos fatos políticos, mas apontou a questão externa, especialmente o governo Trump, como sua principal preocupação.

Texto produzido pela Redação Cena Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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