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Flávio Bolsonaro usou imóvel que pertenceu a cunhado de Vorcaro em São Paulo durante campanha
Brasil

Flávio Bolsonaro usou apartamento ligado a cunhado de Vorcaro em campanha em São Paulo

O imóvel, na Vila Nova Conceição, foi usado pelo candidato para reuniões, gravações e compromissos durante a primeira quinzena de agosto.

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) usou, durante a primeira quinzena de agosto, um apartamento que havia pertencido a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, como base para atividades de campanha em São Paulo. O imóvel fica no edifício l’Adresse, na Vila Nova Conceição, na zona sul da capital paulista.

Flávio se reuniu com integrantes da equipe, gravou vídeos para o horário eleitoral, participou de podcasts e cumpriu compromissos na região da Faria Lima enquanto esteve no local. O comitê de campanha ficava na Avenida República do Líbano, a cerca de cinco minutos de carro do prédio.

Moradores relataram a circulação de policiais legislativos à paisana pelo edifício e afirmaram que os agentes fizeram varreduras nas áreas comuns. Uma funcionária de uma escola próxima, onde veículos usados pelos policiais ficavam estacionados, também confirmou a movimentação.

Moradores pediram ao síndico acesso às imagens das câmeras para verificar a presença da equipe de segurança. Eles foram informados de que as gravações haviam sido apagadas acidentalmente. O síndico não respondeu aos questionamentos sobre a perda das imagens e sobre eventual comunicação prévia da administração do condomínio.

Negociação do apartamento

O imóvel tem 158,87 metros quadrados, três vagas de garagem e varanda. Zettel comprou a unidade em 17 de abril de 2025 por R$ 5,5 milhões. Em 10 de fevereiro deste ano, vendeu o apartamento por R$ 3,5 milhões à WT Administração de Imóveis e Bens, empresa do advogado Willer Tomaz.

A diferença nominal foi de R$ 2 milhões, aproximadamente 36% do valor pago na aquisição. A escritura foi registrada em 4 de março, na mesma data em que Zettel foi preso na terceira fase da Operação Compliance Zero e depois de o Supremo Tribunal Federal determinar o bloqueio dos bens dele.

Tomaz negou inicialmente que Flávio tivesse usado o apartamento. No dia seguinte, afirmou, em nota, não conhecer Zettel nem Vorcaro e nunca ter mantido qualquer “relação pessoal, comercial ou societária” com os dois. A manifestação não mencionou o senador, embora ele tivesse sido questionado especificamente.

A assessoria de Flávio disse que o candidato havia se hospedado apenas em hotéis da região. Depois, não respondeu qual teria sido o uso do apartamento.

Relações e investigações citadas

Zettel aparece nas investigações relacionadas ao Banco Master. Relatórios da Polícia Federal reproduzidos no material apontam que Vorcaro exercia controle sobre pagamentos feitos por empresas em nome do cunhado. Em um dos documentos, os investigadores afirmaram ter ficado “cabalmente constatado” que Zettel atuava como interposta pessoa, ou “laranja”, do banqueiro.

Willer Tomaz não é investigado no caso Master. O advogado aparece no inquérito sobre fraudes no INSS e mantém uma relação antiga com Flávio. Ele foi consultado para assumir a defesa do senador no caso das chamadas rachadinhas, mas não aceitou. Também participou de articulações relacionadas a indicações para tribunais superiores e outros órgãos do Judiciário.

Interlocutores de Tomaz afirmaram que Flávio conheceu Kassio Nunes Marques na casa do advogado. Letícia Caetano dos Reis, administradora do escritório de Flávio, disse ter chegado à função por indicação de Tomaz.

A relação também inclui viagens de lazer e o uso de imóveis e aeronave ligados ao advogado. Em fevereiro, Flávio comemorou os 12 anos da filha caçula em uma casa em Angra dos Reis pertencente à empresa de Tomaz. O senador também frequentou outro imóvel do advogado na cidade, envolvido em uma disputa judicial.

Em 1º de junho, durante um encontro com empresários em Belo Horizonte, o ex-deputado estadual e atual conselheiro do Tribunal de Contas de Minas Gerais Alencar Silveira Júnior abordou Flávio sobre a controvérsia. “Eu falei para ele: ‘Você podia resolver o negócio lá da ilha’”, relatou Alencar. O senador respondeu: “Eu não tenho nada com isso.”

Texto produzido pela Redação Cena Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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