Tudo o que está em cena
ONU lança campanha contra uniões precoces que atingem crianças no Brasil
Brasil

ONU lança campanha contra uniões precoces que atingem crianças no Brasil

Campanha do UNFPA busca combater a normalização do casamento infantil e ampliar a proteção de crianças e adolescentes.

Cerca de 34 mil crianças entre 10 e 14 anos vivem em uniões conjugais no Brasil, conforme o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) considera que esse número pode estar abaixo da realidade. Em números absolutos, o país aparece na primeira posição da América Latina e na sexta do mundo.

Para enfrentar o problema, a ONU lançou no Brasil a campanha “Casamento é Coisa de Adulto”. A iniciativa pretende questionar a aceitação social das uniões precoces e incentivar medidas de proteção para crianças e adolescentes.

Vulnerabilidade e desigualdade

A oficial de programa do UNFPA no Brasil, Anna Cunha, afirmou que medir o fenômeno é difícil porque grande parte das uniões não é registrada em cartório nem formalizada em cerimônias. De acordo com ela, 87% das relações que envolvem crianças e adolescentes são informais.

As meninas correspondem a 77% dessas uniões, e 69% delas são pretas ou pardas. O casamento infantil também está ligado a situações de vulnerabilidade social. Em alguns casos, a família vê a união como uma forma de melhorar as condições financeiras ou garantir um futuro para a adolescente.

Cunha afirmou que o efeito pode ser oposto: a união tende a manter desigualdades e aumentar a exposição das meninas a relações assimétricas. Entre as consequências citadas estão a interrupção da vida escolar e a redução da autonomia.

A representante do UNFPA também destacou que muitos parceiros são mais velhos e têm maior renda e escolaridade. Essa diferença pode ampliar a dependência econômica e limitar a capacidade de decisão das adolescentes. “Casar e [ter] responsabilidades maritais, conjugais e familiares não é para aquele momento”, disse.

Para a ONU, o problema ultrapassa o estado civil ou a formação de uma família, pois afeta a trajetória das meninas e a proteção de direitos, segurança e dignidade.

Lei e políticas públicas

Desde 2019, o casamento civil de pessoas com menos de 16 anos é proibido em qualquer situação. O Congresso discute alterações para declarar nulo o casamento abaixo dessa idade e retirar exceções para uniões com menores de 18 anos.

O UNFPA avalia que a legislação, sozinha, não impede as uniões informais. A estratégia defendida pela organização inclui educação, saúde, assistência social, esporte, cultura e reforço da rede de proteção.

Uma pesquisa de opinião em elaboração deverá investigar como a população brasileira enxerga o casamento infantil e quais percepções ajudam a tolerar a prática. A entrevista completa com Anna Cunha vai ao ar às 22h30 desta quarta-feira (9), na RECORD News, com disponibilidade também no R7, nas redes sociais e no RecordPlus.

Texto produzido pela Redação Cena Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.

Mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5